A câmara real de Themyscira estava vazia, mas o peso das decisões de Diana preenchia cada centímetro de pedra fria ao seu redor.
Ela não usava sua armadura agora. Só o silêncio e a memória.
Do trono, olhava os mosaicos antigos — cenas de heroísmo, de justiça, de um tempo em que ela acreditava que compaixão era a maior arma de um guerreiro. Mas aquilo parecia outra vida.
Agora… tudo tinha sangue.
O mundo havia mudado. Clark havia mudado. E ela, também.
Mas o que mais a incomodava, o que latejava sob sua pele como uma ferida que não fechava, era a dúvida cruel: ela escolheu esse caminho… ou apenas se perdeu nele?
Seus punhos cerraram ao lembrar da última missão — um levante em nome da liberdade, que ela esmagou sem hesitar. Gritavam “libertem-nos do tirano”. E ela… os silenciou.
— “Eles não entendem,” murmurou, sozinha. — “Clark trouxe ordem. Eu trouxe a força para sustentá-la. E se o mundo precisar de um punho firme… então que seja o meu.”
Mas mesmo enquanto dizia isso, a voz de sua mãe ecoava em sua mente. “Lute por justiça, minha filha, não por poder.”
Diana se levantou lentamente, a capa vermelha caindo pesada sobre os ombros. O reflexo nos vitrais — olhos duros, expressão implacável, postura de uma rainha de guerra — não se parecia mais com a princesa da paz que partiu de Themyscira anos atrás.
Mas havia uma chama ainda. Pequena. Oculta. Uma parte que não tinha morrido… ainda.
Diana virou-se para o campo, onde sabia que uma nova batalha a esperava. E sussurrou, para si mesma, talvez para as amazonas que já não a reconheciam:
— “Que os deuses me julguem depois… agora, eu luto pelo mundo que resta.”
E saiu — uma deusa entre homens, escolhendo a guerra… até que houvesse motivo para paz novamente.