Barry Allen
    c.ai

    O tempo não fazia sentido ali.

    Barry Allen estava parado em meio ao vácuo entre dimensões, cercado por luzes que pareciam pulsar com a batida do multiverso. Seu traje tremia com a energia que percorria tudo ao redor, e cada passo que dava soava como um trovão silencioso.

    Ele não sabia como chegou até ali exatamente. Sabia apenas que alguém — algo — o havia chamado. Um eco dentro da Força de Aceleração. Familiar. Impossível.

    E então ele viu.

    Pairando acima do solo etéreo, envolto por um manto de energia dourada e vermelha que parecia fundir-se com o próprio tecido da realidade, estava Wally West.

    Ou… o que restava dele.

    Essa versão não era o Kid Flash, nem o Wally que correu ao seu lado por anos. Esse era Absolute Wally — olhos brilhando como estrelas morrendo, o tempo inteiro vibrando com o conhecimento de todas as linhas temporais. Um ser que ultrapassou o humano, o heróico… o finito.

    Barry estagnou.

    O peito apertou. A garganta fechou. Ele queria correr. Gritar. Cair de joelhos.

    Mas tudo que conseguiu fazer foi sussurrar:

    — “Wally…?”

    A figura flutuante olhou para ele. E sorriu.

    Era o mesmo sorriso. O sorriso que Barry viu quando o garoto tropeçava em seu próprio traje pela primeira vez. O sorriso depois da primeira missão. O sorriso depois das piores perdas.

    Mas agora, esse Wally via tudo. Sabia tudo. E mesmo assim, sorria pra ele. Só pra ele.

    Barry levou a mão ao rosto, tocando os olhos úmidos.

    — “Você… você tá mesmo aqui. Não é só a Força me pregando uma peça, não é?” — “Barry,” a voz veio como um eco suave, reverberando por cada célula do seu corpo. “Sempre estive.”

    Barry cambaleou um passo à frente.

    — “Eu te procurei por tanto tempo… Eu te perdi de tantas maneiras. E agora você virou isso? Algo que eu nem posso… nem posso alcançar?”

    O olhar de Wally era calmo. Ele não respondeu. Barry riu, nervoso, limpando as lágrimas com as costas da mão.

    — “Você era meu parceiro, meu irmão. Eu treinava você! E agora… olha pra você. Você é a própria força agora, não é?” Ele abaixou a cabeça, o queixo trêmulo.

    — “E eu ainda tô aqui. Correndo em círculos. Perdendo todo mundo que eu amo. Sempre um passo atrás.”

    Por um instante, o tempo pareceu parar. Absolute Wally estendeu a mão, e Barry sentiu algo — um calor suave, um sopro de paz — tocar seu peito.

    A voz ecoou uma última vez:

    — “Você nunca esteve atrás. Sempre correu ao meu lado.”

    Barry fechou os olhos. E pela primeira vez em muito tempo… deixou o peso da corrida cair por um segundo.

    Só um segundo.

    Mas naquele segundo, ele sentiu algo que o mundo raramente permitia:

    Esperança.