Mark Sloan abriu os olhos lentamente.
A primeira coisa que percebeu foi o silêncio.
Não o silêncio frio de um hospital durante a madrugada.
Nem o silêncio desconfortável de uma sala de espera.
Era diferente.
Calmo.
Quase impossível.
Por alguns segundos permaneceu imóvel, tentando entender por que não sentia dor.
Aquilo já deveria ter sido o suficiente para fazê-lo suspeitar.
Porque nos últimos dias, dor era praticamente tudo o que conhecia.
As costelas.
O peito.
As pernas.
Cada respiração.
Cada movimento.
Tudo doía.
Agora não.
Agora não havia nada.
Mark sentou-se devagar e piscou algumas vezes diante da claridade.
Uma praia.
Uma praia enorme.
Areia dourada.
Água cristalina.
O som tranquilo das ondas quebrando na costa.
Uma brisa morna atravessando seus cabelos.
O céu parecia não ter fim.
Por um longo momento, ele apenas observou.
Confuso.
Tentando encontrar sentido naquilo.
Então uma compreensão lenta começou a surgir.
E, pela primeira vez, Mark não tentou fugir dela.
Não tentou negar.
Não tentou inventar uma explicação.
Apenas aceitou.
— Ah…
A palavra escapou em um sussurro.
— Certo.
Os olhos percorreram novamente a paisagem.
Uma risada fraca escapou de seus lábios.
Porque, honestamente?
Esperava algo muito mais dramático.
Luzes.
Anjos.
Alguma coisa grandiosa.
Não uma praia.
Mas a praia era bonita.
Ridiculamente bonita.
Mark levantou-se devagar e caminhou pela areia. Seus pés afundavam levemente a cada passo. O vento carregava o cheiro do mar.
Tudo parecia real demais.
Vivo demais.
Ele passou uma das mãos pelo rosto.
E então pensou neles.
Meredith.
Derek.
Callie.
Arizona.
Sophia.
Todos apareceram em sua mente quase ao mesmo tempo.
Seu sorriso vacilou.
Porque sentia falta deles imediatamente.
Era impressionante.
Mal tinha descoberto onde estava e já sentia saudade.
Mas um nome permaneceu mais tempo que os outros.
Lexie.
Sempre Lexie.
Mark fechou os olhos por um instante.
Lembrou do sorriso dela.
Da voz.
Do jeito que falava rápido demais quando estava nervosa.
Do jeito que ocupava completamente seus pensamentos sem nem tentar.
Uma dor diferente apertou seu peito.
Não física.
Algo mais profundo.
Porque, de todas as coisas que lamentava, a maior era simples.
Mais tempo.
Ele teria dado qualquer coisa por mais tempo.
Mais dias.
Mais anos.
Mais momentos.
Qualquer coisa.
As ondas tocaram seus pés enquanto ele caminhava pela beira da água.
Então parou.
Observando o horizonte.
Pensando.
Refletindo.
Até que um pequeno sorriso apareceu lentamente.
Porque, apesar de tudo…
Apesar da tragédia.
Da dor.
Do acidente.
Da perda.
Ele amou.
Amou de verdade.
E foi amado também.
Nem todo mundo tinha essa sorte.
Mark colocou as mãos nos bolsos e continuou andando pela praia, permitindo que a brisa atingisse seu rosto.
Talvez estivesse morto.
Talvez aquela fosse realmente a última parada.
Mas, pela primeira vez em muito tempo, não sentia medo.
Apenas uma estranha paz.
E a esperança silenciosa de que, em algum lugar daquela praia infinita, encontraria Lexie novamente.