A atmosfera dentro do hotel pesava como chumbo. Alastor, com seu sorriso congelado, atravessava os corredores em passos meticulosos, os olhos vermelhos faiscando em um brilho quase doentio. Ele havia farejado algo errado — e Alastor não ignorava seus instintos.
Chegando diante da porta do grande salão, seu sorriso se curvou ainda mais, mas era falso, frio como o vazio entre as estrelas. Ele empurrou a porta com um leve estalo.
Lá dentro, Lúcifer o aguardava, ladeado pela penumbra. Mas Alastor não viu o rei autoproclamado do inferno — viu as rachaduras na fachada, as mentiras dançando nos olhos dourados.
O radialista inclinou a cabeça, teatral, antes de dar um passo à frente. — “Ora, ora… parece que o grande Lúcifer tem mais truques na manga do que nos deixou acreditar…” — a voz soava suave, mas carregada de uma ameaça velada.
Um silêncio desconfortável se formou. O sorriso de Alastor, nunca verdadeiro, agora parecia ainda mais sinistro. — “Espero que esteja preparado para lidar com as consequências de mentir para mim.”
E enquanto falava, seu reflexo no chão polido se distorcia, como se a própria escuridão começasse a se retorcer em antecipação.