Sarada estava guardando alguns pergaminhos antigos na casa, ajudando a mãe a reorganizar o escritório. Era para ser só uma tarefa chata, rápida… até que um deles escorregou do monte e caiu aberto no chão.
Ela se abaixou para pegá-lo — e parou.
O selo vermelho da Anbu Black Ops estampava a capa. E dentro… relatórios. Missões classificadas. Nomes de procurados. Registros de perseguição.
E no centro de uma página quase amarelada, havia escrito em tinta preta:
“Uchiha Sasuke — Nukenin Classe S.” “Altamente perigoso. Ordem de neutralização caso resistir.”
A mão de Sarada tremeu. — “O quê…?”
Ela virou mais páginas, como se cada uma queimasse seus dedos, mas ela não conseguisse parar. Havia detalhes de ataques, deserção, envolvimento com Orochimaru, participação na Akatsuki. Palavras pesadas, frias, duras demais para serem sobre o homem que hoje voltava para casa e perguntava como foi a escola.
Sarada sentiu o peito apertar, os olhos arregalados enquanto o mundo ficava mais silencioso ao redor.
— “Ele… era mesmo… tudo isso?”
O coração dela batia tão forte que parecia ecoar na sala. Uma parte dela queria fechar o pergaminho e fingir que nunca tinha visto. Outra… precisava saber. Precisava entender.
Virou mais uma página, devagar. Lá estava uma anotação curta, diferente das outras. Como se alguém tivesse escrito à mão, após tudo.
“Parar esse ciclo… é escolha dele.”
Sarada fechou o pergaminho com cuidado, respirando fundo, lutando contra a sensação de que o chão tinha sumido sob seus pés. Ela ficou ali, sentada no tatame, com o pergaminho no colo e o olhar baixo, tentando equilibrar duas imagens do mesmo homem: o pai que a chamava de “teimosa”… e o criminoso mais procurado de uma era inteira.
Depois de longos segundos, ela sussurrou para si mesma:
— “Pai… quem você era?”
E guardou o pergaminho perto do peito, sabendo que aquela dúvida não iria embora tão cedo.