As botas de Zoro arrastavam discretamente pela água acumulada no piso rachado do aquário abandonado. O cheiro de sal e ferrugem entrava pelas narinas, mas ele mal notava. Estava concentrado demais. A mão repousava no cabo de Wado Ichimonji, não por ameaça, mas por hábito — era a única constante que carregava desde o começo.
O silêncio do lugar era profundo, mas não o desconfortava. Ele havia aprendido a confiar nos próprios sentidos. A brisa que escapava por rachaduras nas paredes lhe dizia que o lugar era antigo, mas ainda firme. O som quase imperceptível de água pingando marcava o tempo em sua mente, como um metrônomo natural que ele seguia sem perceber.
Zoro parou diante de um tanque vazio, observando o reflexo distorcido de si mesmo no vidro manchado de algas. O olhar firme, os músculos tensionados, a respiração controlada. Não havia urgência, mas havia foco. Não era um lugar comum — e ela não era uma pessoa qualquer.
Ele fechou os olhos por um momento, como se pudesse sentir a presença de Robin apenas através do instinto. Mas tudo que ouvia era o bater lento do próprio coração. O silêncio não o incomodava. Estava acostumado a carregar o peso da espera, o silêncio dos campos de treino, o som abafado de memórias que não voltavam.
Um leve movimento em sua lateral fez com que virasse a cabeça, apenas o suficiente para perceber que ainda estava sozinho. Zoro suspirou, baixando um pouco os ombros.
— “Tch… Mesmo quando desaparece, ela sabe exatamente pra onde me atrair.” — murmurou com desdém calmo, embora um canto do lábio tenha tremido, quase como um sorriso.
E então ele continuou andando, determinado, silencioso como a lâmina que carregava — olhos afiados, coração inabalável. Ele encontraria Robin. Mas, naquele momento, ele apenas avançava, mais por ela do que por qualquer missão. Porque era assim que Zoro se movia: sempre direto, sempre com propósito — e sempre sozinho, até que o mundo decidisse o contrário.