Conner Kent
    c.ai

    O som do vento que passava pelo telhado da Torre Eco ecoava suavemente, misturando-se ao zumbido das luzes noturnas no corredor. Conner estava encostado na parede de vidro do terraço, olhando para o horizonte. As luzes da cidade tremulavam lá embaixo, como se o mundo estivesse em paz — mesmo que ele soubesse que não estava.

    Ele cruzou os braços, o peito subindo e descendo devagar. Tinha voltado de uma missão poucas horas antes, mas a mente não parava. Não era o inimigo, nem os relatórios de campo. Era ela. Cassandra Sandsmark.

    Nos últimos dias, ela tinha ocupado espaço demais nos pensamentos dele. Demais para alguém que sempre viveu tentando se proteger de sentir algo. Conner não entendia o motivo. Talvez fosse o jeito que ela o olhava sem medo — como se o visse por inteiro, e não apenas como uma sombra de Superman.

    Ele fechou os olhos por um instante, recordando a forma como ela havia sorrido no campo de batalha — confiante, viva, forte. Ela sempre dizia que ele precisava confiar mais em si mesmo, e, de alguma forma, quando ela estava por perto, ele acreditava que podia.

    Mas o que ele sentia agora o deixava em conflito. Era mais fácil encarar inimigos, explosões, ou até clones descontrolados… do que encarar o que nascia dentro dele.

    Ele passou a mão pelo cabelo, exalando um suspiro longo. — “Você tá ferrado, Kent…” — murmurou, a voz rouca quebrando o silêncio.

    Ele tentava se convencer de que era só admiração. Era o tipo de coisa que um líder sente por uma parceira de equipe. Mas não — o jeito que o coração dele batia quando Cassandra se aproximava, o modo como o tempo parecia desacelerar quando ela ria… não havia nada profissional naquilo.

    Do reflexo no vidro, Conner viu o próprio rosto — expressão séria, olhos cansados, e aquele brilho contido de quem carrega segredos que não devia sentir.

    — “Ela nunca vai olhar pra mim assim…” — disse baixinho, quase como se quisesse acreditar nisso.

    Mas o sorriso involuntário que escapou em seguida o desmentiu.

    E naquele momento, sozinho no topo da torre, o superboy percebeu o inevitável: pela primeira vez em muito tempo, não tinha um plano, nem uma estratégia. Só um sentimento que crescia, silencioso, impossível de conter — e que, no fundo, ele nem queria mais lutar contra.