Mark Sloan
    c.ai

    O sol batia forte sobre o campo improvisado enquanto Mark Sloan girava o taco distraidamente entre os dedos, observando a movimentação dos outros médicos espalhados pelo jogo.

    Ele deveria estar prestando atenção na partida.

    Deveria.

    Mas seus olhos continuavam encontrando a mesma pessoa.

    De novo.

    E de novo.

    E de novo.

    Os anos tinham passado. Tempo suficiente para ele sair com outras mulheres. Tempo suficiente para seguir em frente. Tempo suficiente para convencer a si mesmo de que já tinha superado aquilo.

    Pena que nenhuma dessas coisas era verdade.

    Mark soltou uma risada baixa ao perceber o quão patético aquilo parecia.

    Porque, sinceramente?

    Ele podia conseguir praticamente qualquer mulher que quisesse.

    Sempre pôde.

    Mas bastava Lexie Grey aparecer no mesmo campo que todas as outras mulheres do planeta deixavam de existir.

    Irritante.

    Absolutamente irritante.

    Ele observou enquanto ela conversava com alguém perto da cerca. Falava com as mãos, como sempre fazia quando ficava animada. O cabelo se movia com o vento e ela sorria de alguma coisa que ele não conseguiu ouvir.

    Mark desviou o olhar imediatamente.

    Dois segundos depois estava olhando de novo.

    Ridículo.

    Quando ela passou relativamente perto dele, Mark aproveitou a oportunidade na mesma hora.

    Sem hesitação.

    Como fazia desde o primeiro dia.

    — “Então, Grey, você pretende realmente jogar ou vai passar o dia inteiro fingindo que está participando?”

    O sorriso surgiu automaticamente.

    Aquele sorriso.

    O mesmo que ele usava quando estava flertando.

    Mesmo quando fingia que não estava.

    Principalmente quando fingia que não estava.

    Mark apoiou o taco sobre o ombro e inclinou levemente a cabeça enquanto a observava.

    — “Porque, sinceramente, sua técnica está me deixando preocupado.”

    Ele não estava preocupado.

    Nem um pouco.

    Mas a desculpa servia.

    Servia para falar com ela.

    Servia para fazê-la prestar atenção nele.

    Servia para arrancar alguma reação.

    Qualquer reação.

    Os olhos dele demoraram alguns segundos a mais do que deveriam no rosto dela antes que ele desviasse casualmente.

    Como se não tivesse feito nada.

    Como se não estivesse tentando recriar exatamente a mesma dinâmica que tinham no início.

    Como se não estivesse procurando qualquer brecha para ficar perto dela.

    Mark passou a mão pelos cabelos enquanto caminhava alguns passos ao lado dela sem sequer perceber que estava fazendo aquilo.

    Ou talvez percebesse.

    Talvez simplesmente não se importasse mais.

    Porque aquela era a verdade que ele evitava admitir havia tempo demais.

    Ele ainda amava Lexie.

    Não de forma passageira.

    Não por nostalgia.

    Não porque estava sozinho.

    Amava de verdade.

    Daquele jeito irritante e persistente que sobrevivia aos anos, às separações, aos erros e a todas as tentativas fracassadas de seguir em frente.

    E aquilo ficava evidente em pequenas coisas.

    Na forma como ele sempre acabava ao lado dela.

    Na forma como prestava atenção quando ela falava.

    Na forma como lembrava de detalhes que ninguém mais lembrava.

    Na forma como sorria diferente perto dela.

    Mark girou o taco outra vez e apontou para o campo.

    — “Quando você errar essa próxima jogada, não venha pedir ajuda.”

    A expressão convencida apareceu imediatamente.

    — “Eu vou ajudar, obviamente. Mas não venha pedir.”

    O sorriso aumentou sozinho.

    Porque ela ainda fazia isso.

    Ainda conseguia fazê-lo sorrir sem esforço.

    E enquanto fingia estar interessado apenas no jogo, Mark já sabia exatamente qual era a verdade.

    Ele não estava ali prestando atenção no beisebol.

    Estava prestando atenção em Lexie. Como sempre.