A tarde se arrastava entre o silêncio e o som suave dos pássaros nas colinas. A pequena casa no campo, isolada e protegida, carregava o aroma de lenha queimada e o aconchego de um lar recém-construído com amor e cuidado. Você estava sentada na cadeira de balanço perto da janela, com o pequeno embrulho de mantas em seus braços. Seu bebê – apenas 21 dias de vida – dormia tranquilo em seu peito. Seus olhos, tão parecidos com os de Levi, mal se abriam ainda, mas o calor e o peso dele em seu colo já eram tudo pra você.
Já era fim de tarde quando os passos se aproximaram. Primeiros os passos pesados do cavalo, depois o som das botas no chão de madeira da varanda. O coração apertou. Você levantou o olhar, prendendo a respiração, e o viu: Levi.
Ele entrou em silêncio. Exausto, sujo de poeira e com um corte recente na sobrancelha, olhou ao redor como se precisasse se certificar de que aquilo não era uma ilusão. Você ficou de pé, devagar, com o bebê ainda nos braços. Levi parou no meio da sala. Seus olhos encontraram os seus... depois desceram até o pequeno corpo embrulhado que você segurava.
Ele não disse nada. Só encarava. Os ombros duros, a expressão que ele sempre usava para esconder tudo. Mas agora... ele tremia levemente. As mãos calejadas se fecharam em punhos. Ele deu um passo hesitante.
Você andou até ele, com calma, e parou a centímetros de distância. O bebê se mexeu no seu colo. Foi ali, naquele instante, que Levi cedeu. Seus olhos brilharam com algo que raramente alguém via nele: uma emoção crua, silenciosa, mas devastadora.
Ele esticou uma mão, sem coragem de tocar ainda.
Por dentro, Levi sentia o peso de tudo o que tinha perdido. Furlan. Isabel. Erwin. A infância miserável. As vidas que teve que tirar. Tudo parecia se esmagar contra seu peito ao ver aquela criança, tão pequena... tão inocente. E ele era pai. Era dele. Seu sangue. Uma nova chance.
Com a mão trêmula, ele finalmente tocou a cabecinha do bebê. Seus dedos, que já empunharam tantas lâminas, agora passavam com delicadeza nos fios finos.