Cassidy sentiu primeiro como um descompasso.
Não foi dor. Não foi medo. Foi a sensação de que algo que sempre respondeu à sua vontade… não respondia mais. O vazio dentro do Golden Freddy se moveu sozinho, pesado demais, como se outra força tivesse aprendido a respirar ali dentro.
— “Não…” — tentou puxar, tentou ancorar.
Nada.
A escuridão ao redor tremulou, as bordas da realidade se desfazendo em estática. O corpo dourado reagiu por conta própria, rangendo, os membros se movendo em ângulos errados, mais bruscos do que Cassidy jamais permitiria. O riso — distorcido, quebrado — ecoou sem que ela quisesse.
Cassidy recuou dentro de si mesma, sentindo o controle escorrer como areia entre os dedos.
Ela sempre foi a âncora. A vontade. A raiva direcionada. Mas agora… algo dentro do Golden Freddy estava faminto demais. Antigo demais. Não era só vingança. Era caos.
As luzes piscaram. O tempo falhou.
— “Para.” — ela tentou impor, empurrar, gritar sem voz. — “Para!”
O animatrônico se moveu mesmo assim.
Cassidy percebeu, tarde demais, que não estava mais guiando o Golden Freddy — estava sendo arrastada por ele. A presença que dividia o espaço com ela crescia, esmagadora, indiferente ao que sobrava de humano nela.
Pela primeira vez desde que acordara naquele inferno metálico, Cassidy sentiu algo que não combinava com sua raiva:
impotência.
E, no fundo da escuridão dourada, uma certeza cruel se formou:
Golden Freddy não era mais só dela.