Dick Grayson
    c.ai

    Robin apoiou os cotovelos nos joelhos, observando de longe a mulher sentada no centro da enfermaria improvisada. A luz azulada das telas refletia na pele dourada dela, dando-lhe um ar quase etéreo — mas o que deixava Dick intrigado não era a aparência. Era o silêncio.

    Ela não dizia uma palavra. Nem mesmo depois de horas.

    Koriand’r. Era o nome que ela havia sussurrado — ou algo próximo disso — quando ele conseguiu quebrar o bloqueio linguístico do tradutor da nave. O som ainda ecoava na cabeça dele, forte e suave ao mesmo tempo.

    Dick digitava no tablet, tentando cruzar informações sobre a linguagem tamaraniana com os arquivos que Batman havia deixado. Nada. Nenhum registro. Nenhuma referência. Era como se ela fosse o primeiro elo de uma espécie inteira perdida.

    Ele franziu o cenho, inclinando-se um pouco, os olhos azuis fixos nela. Ela olhava para as próprias mãos, como se tentasse entender o próprio corpo. De vez em quando, os olhos dela se erguiam, fitando algo que ninguém mais via — e o brilho fraco que emanava da pele parecia pulsar conforme o ritmo do coração.

    — “Você entende o que eu digo?” — ele arriscou, a voz baixa, quase cuidadosa.

    Nada.

    Robin soltou um suspiro, coçando a nuca. Não era como lidar com vilões, ou com metas, ou com o Batman. Ela não era alguém que podia ser interrogada, analisada ou lida por padrões.

    Ela era… um mistério.

    E ele odiava mistérios que não podia resolver com lógica.

    Mas ainda assim, havia algo que o mantinha ali — um fio invisível o puxando a tentar entender. Talvez fosse o olhar dela, sempre curioso, ou o modo como, mesmo sem palavras, ela parecia absorver tudo ao redor com intensidade.

    Dick se levantou devagar, deu alguns passos até parar a poucos metros dela. Ela o observou, os olhos grandes e atentos. Ele ergueu as mãos em gesto de paz, tentando o que seria um sorriso reconfortante.

    — “Ok… sem pressão. Eu também não sou exatamente o cara mais bom de conversa.” — murmurou, meio rindo.

    Koriand’r piscou, confusa, mas o canto da boca dela se moveu em algo que poderia ser um reflexo de sorriso.

    Robin congelou. Por um instante, esqueceu as palavras, os arquivos, a missão.

    Ela sorriu pra ele.

    E pela primeira vez naquela noite, o garoto prodígio percebeu que talvez entender aquela mulher não fosse uma questão de tradução. Mas de paciência.