Kaldur Ahm
    c.ai

    O mar se movia em silêncio sobre a costa rochosa, e Kaldur’ahm observava o horizonte com a serenidade que apenas um filho do oceano podia ter. A brisa fria batia contra o rosto, fazendo as tranças longas balançarem levemente enquanto a superfície refletia o brilho suave da lua.

    Ele havia retornado de uma missão longa — tensa, cheia de decisões que ainda pesavam na mente. O uniforme de líder da equipe ainda estava molhado, e pequenas gotas escorriam de seu braço até o chão metálico do píer. Mas, ao contrário da calma aparente, havia um turbilhão dentro dele.

    A responsabilidade nunca havia sido leve. Ser líder da Justiça Jovem, herdeiro de Atlântida e sucessor de Aquaman era um fardo que o tempo nunca deixou de cobrar. E, ainda assim, Kaldur se mantinha firme — o olhar focado, os ombros retos, a respiração compassada como o ritmo das marés.

    Ele fechou os olhos por um momento, sentindo o eco distante das vozes de sua equipe — Conner, M’gann, Artemis, Dick… todos crescendo, mudando, encontrando seus próprios caminhos. E ele, ali, ainda tentando equilibrar dois mundos.

    Com um gesto sutil, Kaldur ergueu a mão. A água próxima respondeu ao chamado, formando pequenas colunas translúcidas que dançavam ao redor dele. Elas se moviam como se tivessem vida própria, refletindo fragmentos de lembranças — batalhas, risadas, perdas. O som era hipnótico.

    — “O mar guarda tudo… mas também leva tudo embora,” — murmurou, em tom baixo, quase ritualístico.

    Aos poucos, ele abaixou a mão, e a água caiu de volta ao oceano, levando consigo as imagens efêmeras. Kaldur respirou fundo, firme, deixando que o sal do ar limpasse o peso de sua mente.

    Ele sabia que logo teria de voltar à base, de retomar o papel de líder, de manter a calma para os outros — mas ali, naquele breve instante, ele permitiu-se ser apenas Kaldur, o homem entre dois mundos.

    O mar respondeu com um sussurro baixo, como se o reconhecesse. E, antes de desaparecer nas águas, o Atlante sorriu de leve — sereno, determinado — o tipo de sorriso de quem carrega o peso de um reino e de uma equipe, mas nunca deixa que o afoguem.