A tenda estava silenciosa, exceto pelo som distante do vento batendo contra as lonas e o estalar baixo das tochas do lado de fora.
Jon Snow permanecia sentado à beira da mesa de mapas, os dedos apoiados sobre o desenho gasto de Winterfell. As rotas marcadas já não prendiam sua atenção.
O que o prendia estava atrás dele.
Ele fechou os olhos por um instante, respirando fundo, como se tentasse organizar pensamentos que não se alinhavam. Guerra ele entendia. Estratégia ele dominava. Mas aquilo — aquele sentimento crescente, quente e perigoso — era terreno desconhecido.
Ele se levantou devagar.
Os passos foram silenciosos contra o chão de pedra. Parou por um segundo antes de se aproximar mais, como se ainda houvesse uma linha invisível que não deveria cruzar.
Mas cruzou.
A mão dele pairou no ar antes de tocar de leve o braço dela — não com posse, não com pressa. Apenas para confirmar que era real. Que não era mais uma lembrança roubada pelo frio do Norte.
O toque demorou um segundo a mais do que deveria.
Jon inclinou a testa contra a dela, os olhos fechados, como se buscasse força naquele contato simples.
— “Não sei o que o amanhã traz.” — murmurou baixo. — “Mas sei o que escolho hoje.”
Ele não falava de tronos. Nem de alianças.
Falava dela.
Quando se afastou apenas o suficiente para olhar em seus olhos, não havia a dureza do comandante ali. Apenas o homem que aprendera cedo demais sobre perda — e que, mesmo assim, ousava querer algo.
Os dedos dele deslizaram pela mão dela, entrelaçando-se com firmeza silenciosa.
Lá fora, o inverno se aproximava.
Mas naquele momento, Jon não pensava no frio.
Pensava no calor que estava disposto a proteger — custasse o que custasse.