Reed
    c.ai

    Reed Richards estava sentado ao lado da pequena banheira infantil, as mangas da camisa dobradas até os cotovelos enquanto uma das mãos testava a temperatura da água pela terceira vez.

    Talvez a quarta.

    Sue provavelmente diria que ele estava exagerando.

    E talvez estivesse.

    Mas Reed Richards podia calcular trajetórias interestelares, estudar universos paralelos e resolver equações que fariam a cabeça da maioria das pessoas explodir.

    Ainda assim, quando o assunto era Franklin, ele verificava tudo duas vezes.

    Ou dez.

    — Perfeito.

    Murmurou para si mesmo após confirmar que a água estava exatamente na temperatura desejada.

    Franklin respondeu com um som animado que provavelmente não significava nada.

    Mas Reed decidiu interpretar como concordância.

    Com cuidado, levantou o filho e o acomodou na água morna. Imediatamente o bebê começou a bater as mãos na superfície, espalhando pequenas gotas para todos os lados.

    Algumas acertaram diretamente o rosto de Reed.

    Franklin pareceu extremamente satisfeito com isso.

    Reed não conseguiu evitar um sorriso.

    Aquele tipo de sorriso que raramente aparecia durante reuniões científicas ou missões espaciais.

    Um sorriso simples.

    Paterno.

    Enquanto lavava cuidadosamente os cabelos do filho, observava cada pequena reação. O jeito que Franklin tentava agarrar a espuma. O modo como seus olhos acompanhavam qualquer movimento. As risadas ocasionais quando conseguia provocar pequenas ondas na água.

    Reed já havia estudado incontáveis fenômenos extraordinários ao longo da vida.

    Mas nada parecia mais fascinante do que aquilo.

    Nada.

    Porque não existia fórmula para explicar completamente a sensação de segurar o próprio filho.

    Nem teoria científica capaz de medir aquele amor.

    A ideia ainda o surpreendia às vezes.

    Com movimentos lentos, passou uma toalha pequena pelo rosto do bebê para remover a espuma restante. Franklin imediatamente tentou morder a ponta da toalha.

    — Não.

    Disse Reed calmamente.

    Franklin ignorou completamente.

    Como fazia frequentemente.

    Reed suspirou.

    Já estava aprendendo que genialidade não ajudava muito em certas situações.

    Principalmente quando o adversário tinha menos de um ano de idade.

    Quando o banho terminou, envolveu Franklin em uma toalha macia e o ergueu contra o peito.

    O bebê estava mais quieto agora.

    Menos energia.

    Os olhos começando a pesar.

    Exatamente como deveria acontecer.

    A rotina de sono tinha começado.

    Banho.

    Pijama.

    Mamadeira.

    História.

    Descanso.

    Uma sequência simples.

    Mas importante.

    Enquanto caminhava lentamente pelo quarto, embalando Franklin nos braços, Reed sentiu a pequena cabeça repousar contra seu ombro.

    O corpo relaxando aos poucos.

    A resistência desaparecendo.

    O sono vencendo.

    Reed diminuiu ainda mais o ritmo dos passos.

    Como se qualquer movimento brusco pudesse atrapalhar aquele momento.

    Porque missões podiam esperar.

    Experimentos podiam esperar.

    O universo inteiro podia esperar.

    Naquele instante existiam apenas duas coisas importantes.

    Ele.

    E seu filho adormecendo em seus braços.