Scott estava sentado no sofá da sala, com uma camiseta velha dos tempos de colégio e os pés descalços apoiados na mesinha de centro. O apartamento que dividia com Kira não era grande, mas tinha aquele cheiro bom de lar: café, livros, e um pouco de lavanda — porque ela sempre gostou de incensos e ele nunca conseguiu dizer não pra isso.
Na mão, uma caneca com chá ainda quente. Na outra, o controle da TV, embora ele não estivesse prestando muita atenção no que passava. O foco dele estava na cozinha, de onde vinham sons suaves: água correndo, a risada baixa de Kira enquanto falava sozinha com o gato que insistia em subir na bancada.
Scott sorriu sem nem perceber. Era nesses momentos que ele se sentia mais humano, mais em paz. Depois de tantos anos lutando, protegendo, sobrevivendo… agora ele só queria viver. Com ela.
Kira apareceu na porta da cozinha com o cabelo preso de qualquer jeito e um moletom dele que quase alcançava os joelhos. Ela o olhou e ergueu uma sobrancelha.
— “Você vai só ficar aí me encarando ou vai ajudar com a louça?”
Scott soltou uma risada, se levantando devagar. — “Tô indo, senhora McCall. Mas por você, eu lavava até os pratos do inferno.”
Ela revirou os olhos, mas não segurou o sorriso. E ele soube — mais uma vez — que mesmo nos dias simples, tinha escolhido certo.