O vento cortante soprava sobre The Wall enquanto Jon Snow esfregava as mãos já dormentes pelo frio.
O balde ao lado dele estava quase vazio.
Outra tarefa inútil.
Outra ordem sem sentido.
Ele mergulhou o pano na água gelada, apertando-o com força antes de voltar a esfregar a madeira áspera da torre. Cada movimento era mais brusco do que o necessário.
Como se estivesse tentando descarregar algo.
Ou alguém.
Alliser Thorne.
O nome praticamente queimava na mente dele.
Jon apertou o maxilar, sentindo os dentes rangerem levemente. Não era a primeira vez. Nem a décima. Sempre uma tarefa menor. Sempre algo para lembrá-lo do lugar que ocupava.
Bastardo.
Inútil.
Ele parou por um segundo, o pano ainda apertado na mão, o peito subindo com uma respiração mais pesada do que o normal.
Só mais um passo.
Era o que parecia.
Só mais uma palavra.
Só mais uma provocação.
E ele poderia perder o controle.
Os olhos escuros se ergueram para o horizonte além da Muralha — branco, infinito, silencioso. Um lugar onde ninguém se importava com nomes, com sangue ou com insultos.
Por um instante… a ideia de simplesmente sair andando atravessou sua mente.
Sumir.
Deixar tudo para trás.
Jon fechou os olhos com força, puxando o ar gelado para dentro dos pulmões até doer.
Não.
Ele voltou a esfregar a madeira, mais controlado agora, mais lento.
Não daria esse gosto a ele.
Não quebraria.
Mesmo que cada ordem, cada palavra, cada olhar o empurrasse cada vez mais perto disso.
Jon Snow continuou trabalhando em silêncio, o rosto duro, a raiva presa atrás dos olhos — como uma tempestade que ainda não podia se permitir explodir.