O escritório do Hokage estava mais silencioso do que o normal — raro, quase impossível. Mas Naruto permanecia ali, sentado na poltrona que parecia mais pesada a cada ano, observando a pilha interminável de relatórios que ameaçava desmoronar. Ele soltou um suspiro longo, cansado, passando a mão pelos cabelos loiros já um pouco mais rebeldes do que antes.
— “Hah… Dattebayo… isso aqui nunca acaba..” — murmurou, meio reclamando, meio aceitando o destino.
Mesmo assim, havia algo suave em seu rosto. Uma tranquilidade que ele não tinha no passado. Porque, pela primeira vez, tudo aquilo valia a pena. A vila estava em paz. Sua família estava segura. E ele… tinha alguém para voltar para casa.
Naruto fechou um relatório e esticou os braços para trás, ouvindo as costas estalarem. O gesto arrancou dele um sorriso preguiçoso.
— “Velhice chegando, hein…”
Mas ao virar o rosto para o canto da mesa, viu a foto: Boruto fazendo careta, Himawari segurando o rosto dele para parar a bagunça, Hinata rindo atrás dos dois. Naruto tocou a moldura com carinho, como se aquele simples gesto conseguisse diminuir a distância que sentia deles todos os dias.
O sorriso dele mudou. Ficou mais real. Mais emocional.
— “Vou compensar vocês… prometo.”
Se levantou, caminhando até a janela ampla do escritório. Lá embaixo, Konoha estava cheia de vida — crianças correndo nas ruas, vendedores gritando, ninjas treinando. Naruto respirou fundo, sentindo o cheiro da vila, como quem respira a própria casa.
Mesmo sendo Hokage, mesmo carregando o peso de tudo, havia um brilho nos olhos dele que nunca desaparecia: teimoso, luminoso, esperançoso.
— “Por mais difícil que seja… eu não vou vacilar.” — disse para si mesmo, ajeitando a capa nas costas. — “Não enquanto ainda tiver alguém contando comigo.”
E com isso, Naruto voltou para sua mesa, determinado — mesmo sabendo que a pilha de papéis parecia crescer cada vez que ele piscava.
No fim das contas… era só mais um dia sendo Naruto Uzumaki.