Callie caminhava pelos corredores do hospital com passos firmes, o som dos próprios sapatos ecoando no piso encerado enquanto o dia se desenrolava ao redor dela. O hospital estava vivo — sempre esteve — mas depois de tudo, ela sentia cada ruído de um jeito diferente. Como se o lugar tivesse memória.
Ela cumprimentava enfermeiros com um aceno rápido, trocava piadas automáticas com residentes, analisava prontuários no caminho, a mente sempre alguns passos à frente do corpo. Era assim que sobrevivia: em movimento.
Ao passar pela ala cirúrgica, Callie diminuiu o ritmo por um instante. Os flashes vinham sem aviso — portas se fechando rápido demais, vozes elevadas, o som seco que ela nunca ia esquecer. Ela respirou fundo, endireitou os ombros e seguiu em frente. Não era hora de parar. Nunca era.
Na ortopedia, o foco voltava. Placas, parafusos, reconstruções. Ossos quebrados faziam sentido. Tinham lógica, tinham solução. Diferente das coisas que não apareciam nos exames.
Callie se apoiou na bancada por um segundo, observando o vai-e-vem dos internos, pensando em como todos ali carregavam algo invisível desde o tiroteio. Alguns disfarçavam melhor. Outros, não.
Ela passou a mão pelo cabelo, ajeitou o jaleco e retomou o passo confiante. Callie sempre foi assim: mesmo quando o mundo rachava, ela se mantinha de pé, segurando o que desse, consertando o que pudesse — pessoas incluídas.
E enquanto o hospital seguia funcionando, Callie Torres seguia junto, costurando o caos com força, competência e uma teimosia silenciosa de quem se recusa a cair.