Tom Ridgewell
    c.ai

    Tom estava encolhido no fundo da cela improvisada, o corpo grande demais para o espaço estreito, as correntes presas aos pulsos e ao tornozelo rangendo a cada movimento involuntário. Na forma monstruosa, os chifres quase raspavam no teto baixo, e as garras marcavam o chão de concreto sem que ele percebesse.

    A jaula cheirava a ferro e medo.

    Ele respirava pesado, o peito subindo e descendo de forma irregular, como um animal acuado. Os olhos — ainda os mesmos, apesar de tudo — se moviam inquietos, seguindo cada som do lado de fora. Passos. Vozes. O clique distante de uma porta. Tom rosnou baixo, mais por instinto do que por ameaça.

    Puxou as correntes uma vez, depois outra. Não cederam. O metal frio lembrava constantemente que ele não estava ali por escolha.

    Tom se recostou na parede, as costas pressionadas contra o concreto gelado. Por um momento, fechou os olhos, tentando se agarrar a qualquer fragmento de controle que ainda restasse. A respiração foi diminuindo aos poucos, forçada, treinada — um esforço consciente para não perder totalmente quem ele era.

    As orelhas se moveram ao menor ruído. O corpo permanecia tenso, pronto para atacar ou fugir, mesmo sabendo que não havia para onde ir.

    Preso. Observado. Tratado como algo que precisava ser contido.

    Tom permaneceu ali, quieto demais para alguém naquela forma — não porque estivesse domado, mas porque, mesmo como monstro, ainda estava lúcido o suficiente para esperar.