Conner ficou em silêncio por muito tempo depois que o pessoal explicou — o tipo de silêncio pesado, denso, que parecia ecoar pelos corredores da base. Ele estava sozinho agora, sentado em um dos bancos do pátio interno, os cotovelos apoiados nos joelhos, a cabeça baixa.
“Outro eu.”
As palavras ainda soavam erradas, irreais, quase cômicas. Mas não havia nada engraçado naquilo. Ele encarava o chão de concreto como se esperasse uma resposta vir dali. Um clone anterior. Mais um experimento da Cadmus. Um que deu “certo” o suficiente pra sobreviver antes dele.
Conner respirou fundo, os dedos se contraindo lentamente — um velho reflexo de quando a raiva começava a querer subir. Ele sempre achou que entender quem ele era já era complicado demais: meio humano, meio kryptoniano, meio Luthor, meio Superman, e totalmente dividido entre tudo isso. E agora… agora existia outro ele pra adicionar nessa equação quebrada.
Levantou-se, andou até o vidro que dava pra floresta ao redor da base. O reflexo dele devolvia uma expressão tensa, quase amarga. “Um clone antes de mim.” O que isso queria dizer? Que ele era a versão melhorada? Ou só o erro mais novo de uma sequência que nunca devia ter existido?
Ele tentou respirar mais fundo, tentando lembrar das palavras que M’gann sempre dizia — sobre foco, sobre deixar o pensamento acalmar antes de agir. Mas não estava funcionando. Tudo dentro dele parecia confuso, irritado, inseguro.
E o pior não era nem o fato de existir um outro clone. Era o fato de que ele vinha morar com eles.
Conner se recostou na parede, cruzando os braços. Não sabia se estava preparado pra isso — pra ver alguém com o mesmo rosto, o mesmo DNA, o mesmo passado… mas que ainda assim não era ele. Que ria diferente, andava diferente, vivia diferente.
Um pequeno ruído metálico — o som de uma ferramenta batendo no chão, vindo de algum canto da base — o fez virar o rosto por instinto, o corpo inteiro tenso. Mas logo relaxou de novo. Era só um som qualquer.
Ele deixou um suspiro escapar, longo, cansado.
Talvez o outro nem fosse como ele imaginava. Talvez fosse só outro cara tentando entender quem era. Mas… se fosse mais um reflexo distorcido do que Conner podia ter sido? Se ele fosse o tipo de pessoa que o mundo preferia que ele fosse?
Um sorriso amargo se formou no canto dos lábios. — “Vai ser divertido..” — murmurou com sarcasmo, o tom rouco e baixo.
Olhou pro céu cinzento lá fora, os olhos firmes. Ele não sabia o que ia sentir quando o visse — raiva, curiosidade, ciúme, medo — mas sabia que não ia fugir. Não dessa vez.
Afinal… se havia outro “Superboy” chegando, Conner precisava descobrir, de uma vez por todas, quem era ele mesmo.