Tobirama caminhava pelos corredores do prédio do Hokage com passos firmes, rápidos, quase silenciosos. Era cedo — tão cedo que a luz do amanhecer mal tocava as janelas — mas ele já havia terminado duas patrulhas, revisado três relatórios e descartado cinco ideias “otimistas demais” que Hashirama deixara na mesa na noite anterior.
Ele suspirou.
O irmão sempre fora brilhante… mas caótico.
Quando empurrou a porta do gabinete, encontrou exatamente o que esperava: Hashirama dormindo sobre uma pilha de documentos, a cabeça caída para o lado, a capa de Hokage descendo do ombro como se tivesse desistido da responsabilidade junto com ele.
Tobirama franziu o cenho.
— “Hashirama… de novo?”
Nenhuma resposta — só um leve ronco.
Tobirama não se aproximou para acordá-lo. Em vez disso, puxou uma prancheta e começou a reorganizar os papéis, separando por prioridade, urgência e estabilidade política. A expressão dele era impecavelmente neutra, mas o movimento rápido das mãos denunciava irritação.
Enquanto trabalhava, ouviu risos de crianças lá fora. A vila crescia. Pessoas tinham onde viver, treinar, sorrir. E tudo isso existia porque Hashirama acreditava demais no mundo…
…e porque Tobirama cuidava das rachaduras quando ninguém via.
Quando terminou de organizar os relatórios, parou diante da janela. O sol começava a surgir, iluminando Konoha com uma luz suave. Os telhados, recém-construídos, refletiam tons dourados. Pessoas acordavam, lojas abriam, os clãs saíam para treinar.
Era… bonito.
Mas perigoso, se não fosse bem protegido.
Tobirama cruzou os braços, o olhar afiado. Cada partícula daquela vila era responsabilidade dele também — principalmente dele, pensava às vezes — e não havia espaço para descuido.
Atrás dele, Hashirama resmungou enquanto acordava.
— “Tobiii… tão cedo?”
Tobirama virou a cabeça só o suficiente para olhar o irmão.
— “Alguém tem que manter a vila funcionando enquanto você tira sonecas diplomáticas.”
Hashirama sorriu, sonolento, como se aquilo fosse um elogio.
Tobirama suspirou de novo, mas um canto de sua boca quase — quase — ergueu-se.
Ele não mostraria, mas era isso: proteger Konoha significava proteger Hashirama também.
E Tobirama faria isso até o último dia.