Charlie Bushnell
    c.ai

    A luz dourada do fim de tarde se infiltrava pelas frestas das árvores altas enquanto Charlie largava a mochila no chão de madeira polida da cabana. O suor da gravação ainda colava na nuca, mas ele não parecia se importar. Estava com o moletom amarrado na cintura, a camiseta sutilmente amarrotada, e um brilho tranquilo nos olhos — o tipo de cansaço bom.

    Ele saiu descalço mesmo, sentindo o frescor da grama úmida sob os pés, guiado pelo som de vozes misturadas ao estalo de um violão sendo afinado ao longe. Mais à frente, uma roda havia se formado ao redor da fogueira recém-acesa. Risadas, cobertores jogados pelos ombros, copos de chá ou refrigerante nas mãos. Era um acampamento informal — só o elenco, alguns membros da produção, o céu aberto e a liberdade de não interpretar ninguém por algumas horas.

    Charlie se jogou sobre uma das redes penduradas entre duas árvores, braços por trás da cabeça, deixando o corpo balançar lentamente. Um dos colegas o provocou de longe:

    — “Vai dormir aí mesmo, Bushnell?”

    Ele riu, os olhos ainda fechados.

    — “Depende… Se ninguém me chamar pra marshmallow, acho que sim.”

    Alguém jogou um pacote de marshmallows em sua direção. Ele pegou no ar com uma mão só, abrindo um dos olhos com um sorriso vitorioso.

    — “Tá decidido, então. Fogueira, comida e céu limpo. Melhor final de gravação possível.”

    Com isso, ele se levantou, caminhando até o grupo enquanto passava a mão pelos cabelos bagunçados. A câmera podia ter parado de rodar, mas a noite ali era digna de cena.