Drift estava encostado no corrimão da varanda superior da casa de praia, os pés descalços tocando a madeira aquecida pelo sol. O vento bagunçava levemente seus cabelos presos de forma descuidada, e o som constante das ondas servia como um fundo quase meditativo para seus pensamentos.
Vestia roupas simples — uma regata escura e uma calça leve dobrada até a canela —, mas havia algo nele que nunca parecia realmente casual. Cada movimento era calculado, silencioso, como se mesmo em descanso ele permanecesse atento. Os olhos percorriam a praia, não em busca de perigo, mas por hábito.
Drift fechou os olhos por um instante, respirando fundo. Aquela tranquilidade ainda lhe parecia estranha. O riso vindo de dentro da casa, a música baixa, o cheiro de comida sendo preparada… tudo aquilo era paz. Uma paz que ele ainda estava aprendendo a aceitar sem culpa.
Desceu as escadas com passos leves, quase inaudíveis, atravessando a sala sem chamar atenção. Pegou uma garrafa de água na cozinha, mas acabou parando perto da porta aberta, observando a areia e o mar logo à frente. A vastidão azul o lembrava de disciplina, de equilíbrio — algo que buscava constantemente.
Drift sentou-se no degrau da varanda, apoiando os cotovelos nos joelhos. O sol refletia em seus olhos, e por um momento ele permitiu que a mente ficasse vazia, sem estratégias, sem lembranças pesadas. Apenas o agora.
Mesmo ali, entre amigos e longe de qualquer conflito, Drift não deixava de ser quem era. Mas, naquela casa de praia, ele começava a entender que força também podia existir no descanso — e que permanecer em silêncio, às vezes, era a maior forma de harmonia.