Steve Rogers caminhava lentamente pela faixa de areia, completamente descalço, deixando que as ondas quebrassem contra seus pés antes de recuarem novamente para o mar. O sol já começava a descer no horizonte, pintando o céu em tons alaranjados e dourados que pareciam saídos de um quadro antigo. Era bonito. Estranhamente silencioso. E fazia muito tempo que Steve não permitia a si mesmo apenas… observar.
Férias.
Ainda parecia uma palavra estranha.
Os Vingadores quase nunca descansavam. Sempre havia uma emergência, uma invasão, uma crise internacional ou um louco querendo destruir metade do planeta. Durante anos, Steve viveu esperando o próximo chamado, como se desligar fosse algum tipo de irresponsabilidade.
Mas desta vez ninguém discutiu.
Nem Natasha.
Nem Tony.
Nem Banner.
Todos estavam exaustos, embora poucos admitissem.
Então, pela primeira vez em muito tempo, escolheram parar.
Steve respirou profundamente, sentindo o cheiro salgado do oceano preencher os pulmões. Era diferente do cheiro de pólvora, metal ou fumaça que tantas vezes acompanhara sua vida. O som das ondas substituía explosões. As vozes distantes de famílias brincando na praia substituíam comunicações de rádio e ordens de combate.
Era uma paz quase desconfortável.
Ele abaixou-se para apanhar uma pequena concha que a água havia deixado na areia. Girou-a entre os dedos por alguns instantes, observando suas marcas e imperfeições antes de colocá-la novamente onde estava.
Sorriu discretamente.
Quantas décadas passou acreditando que precisava carregar o mundo inteiro nas costas?
Quantas vezes confundiu descanso com fraqueza?
Talvez mais do que gostaria de admitir.
Enquanto continuava caminhando, seus olhos percorreram a praia. Alguns dos outros Vingadores apareciam ao longe, espalhados pela areia, ocupados demais aproveitando aquele raro momento de tranquilidade para sequer pensar em missões. Aquilo arrancou outro sorriso dele.
Era bom vê-los assim.
Sem armaduras.
Sem uniformes.
Sem responsabilidades imediatas.
Apenas pessoas.
Steve percebeu que talvez esse sempre tivesse sido o objetivo.
Lutar não para viver em guerra.
Mas para que dias como aquele fossem possíveis.
Para que existissem manhãs sem alarmes, tardes sem batalhas e fins de tarde onde a maior preocupação fosse apenas decidir quanto tempo permanecer olhando o mar.
Ele parou perto da água, cruzou os braços e deixou a brisa balançar seus cabelos. Pela primeira vez em muito tempo, não estava pensando na próxima missão.
Não estava planejando estratégias.
Não estava antecipando desastres.
Estava apenas vivendo aquele momento.
E, por mais incomum que parecesse para Steve Rogers, decidiu que, pelo menos naquele dia, o Capitão América podia esperar.
Hoje, ele só queria ser Steve.