Mark Sloan
    c.ai

    Mark Sloan estava encostado no balcão da recepção com dois copos de café nas mãos e uma expressão que alternava entre apaixonado e completamente derrotado.

    O apaixonado era por causa de Lexie.

    O derrotado era por causa de Derek.

    Mais especificamente pela conversa que precisava ter com Derek.

    A conversa que vinha adiando há semanas.

    Talvez meses.

    Mas principalmente semanas.

    Mark olhou para os dois cafés e soltou um suspiro.

    Aquilo era ridículo.

    Ele era um cirurgião renomado.

    Já tinha enfrentado procedimentos impossíveis.

    Já tinha lidado com emergências absurdas.

    Já tinha reconstruído rostos destruídos por acidentes horríveis.

    Mas contar ao melhor amigo que estava namorando a irmã dele?

    Aquilo parecia impossível.

    Os dedos apertaram levemente o copo.

    Porque Lexie tinha deixado sua posição extremamente clara.

    Ou ele contava.

    Ou ela terminava.

    E, honestamente?

    A simples ideia de perder Lexie fazia seu estômago revirar.

    Então não havia escolha.

    Ele teria que contar.

    Em algum momento.

    Provavelmente logo.

    Talvez hoje.

    Talvez amanhã.

    Talvez…

    Mark fechou os olhos por um segundo.

    Não.

    Definitivamente não hoje.

    Os olhos abriram novamente enquanto observava a movimentação do hospital. Residentes corriam de um lado para outro. Enfermeiros empurravam macas pelos corredores. Médicos discutiam casos.

    E ele continuava ali.

    Esperando.

    Porque Lexie chegaria a qualquer momento.

    Automaticamente um sorriso surgiu.

    Aquilo acontecia sempre.

    Bastava pensar nela.

    Era irritante.

    Antes de Lexie, Mark nunca tinha sido o tipo de homem que comprava café para alguém só porque sabia exatamente como essa pessoa gostava dele.

    Nunca tinha esperado alguém chegar.

    Nunca tinha decorado horários.

    Nunca tinha percebido detalhes pequenos.

    Agora sabia quantos pacotes de açúcar ela colocava no café.

    Sabia quando estava nervosa apenas pelo jeito que segurava um prontuário.

    Sabia quando estava cansada pelo ritmo em que falava.

    Sabia coisas demais.

    E adorava isso.

    O sorriso aumentou enquanto imaginava a reação dela quando visse os cafés.

    Provavelmente ficaria feliz.

    Depois tentaria fingir que não estava.

    Depois falharia.

    Como sempre.

    Mark apoiou o quadril contra o balcão da recepção e voltou a observar a entrada.

    A verdade era que estava cansado de esconder aquilo.

    Cansado dos encontros discretos.

    Das conversas interrompidas quando alguém aparecia.

    Dos olhares rápidos pelos corredores.

    Das desculpas.

    Porque, pela primeira vez na vida, ele não queria manter alguém em segredo.

    Queria ficar com Lexie.

    Simples assim.

    Queria poder segurar sua mão sem se preocupar.

    Queria poder chamá-la para jantar sem parecer suspeito.

    Queria poder existir ao lado dela sem precisar olhar por cima do ombro procurando Derek.

    O pensamento fez uma careta surgir em seu rosto.

    Derek.

    Sempre Derek.

    Mark tomou um gole do próprio café antes de balançar a cabeça.

    Chega.

    Ele contaria.

    Não sabia exatamente quando.

    Mas contaria.

    Porque Lexie merecia isso.

    Porque ela merecia alguém que não tivesse medo de assumir o que sentia.

    E porque, se fosse sincero consigo mesmo, já estava completamente apaixonado por ela.

    Quando seus olhos finalmente encontraram uma figura familiar entrando no corredor, todo o resto desapareceu instantaneamente.

    O problema com Derek.

    A conversa pendente.

    A preocupação.

    Tudo.

    Restou apenas aquele sorriso involuntário que aparecia sempre que via Lexie Grey se aproximando. E, naquele momento, Mark percebeu que enfrentaria uma centena de Derek Shepherds se fosse necessário.

    Mas não abriria mão dela.