A madrugada era silenciosa, quebrada apenas pelo som do trânsito distante e da respiração calma ao lado.
Dick estava deitado de costas, olhos abertos, encarando o teto como se buscasse respostas ali — ou talvez apenas coragem. O lençol cobria metade do seu peito, e o calor do corpo de Wally ainda irradiava próximo, mesmo que o velocista estivesse virado de lado, os dedos entrelaçados com os dele de forma inconsciente.
Era nisso que Dick mais pensava, na verdade. Na naturalidade com que Wally segurava sua mão mesmo dormindo.
Aquilo não era algo que se aprendia em treinamento. Não era uma tática. Não era uma missão.
Era… paz.
E por mais que ele tivesse lutado, salvado, sangrado — nunca soube lidar com paz.
Dick virou lentamente o rosto para o lado, observando Wally dormir. O cabelo bagunçado, a cicatriz discreta no queixo, o jeito como ele franzia a testa de leve, como se até em sonhos discutisse com o mundo.
— “Você é o caos mais bonito que já entrou na minha vida…” — ele sussurrou, voz rouca, quase temendo quebrar o momento.
Porque ali, naquela cama, no pequeno apartamento acima de uma loja de conveniência, sem uniforme, sem máscaras, sem plano de contingência… ele era só Dick.
Não Robin. Não Asa Noturna. Só ele.
E Wally o amava mesmo assim.
A ideia apertava seu peito de um jeito estranho. Como um soco — só que bom.
Ele se aproximou devagar, encostando a testa na de Wally, e fechou os olhos. Deixou o silêncio falar, e, pela primeira vez em dias, dormiu sem pesadelos.