Mark Sloan
    c.ai

    Mark Sloan estava sentado no chão do corredor, apoiado contra a parede, enquanto sentia o gosto metálico de sangue na boca. A respiração vinha pesada, irregular, não apenas pela briga, mas pela quantidade absurda de raiva que ainda corria por suas veias.

    Ao seu lado, Owen Hunt mantinha uma mão firme em seu ombro e a outra pronta para segurá-lo caso ele resolvesse se levantar de novo.

    O que, honestamente, ainda estava considerando.

    Do outro lado do corredor, Derek Shepherd também carregava os sinais da luta. Um corte próximo à sobrancelha. O jaleco torto. A mesma expressão irritada que fez Mark ter vontade de atravessar o corredor e acertar outro soco.

    Mark passou o polegar pelo canto da boca e observou o sangue nos dedos.

    Ótimo.

    Perfeito.

    Que dia maravilhoso.

    Tudo porque decidiu ser honesto.

    Tudo porque resolveu parar de esconder uma coisa que nem deveria precisar esconder.

    Ele soltou uma risada seca e amarga, balançando a cabeça.

    — Sério… sério mesmo?

    A pergunta não era para Owen.

    Nem para Derek.

    Era para o universo.

    Porque aquilo era ridículo.

    Ele tinha passado anos sendo o cara irresponsável. O cara que não levava relacionamentos a sério. O cara que pulava de mulher em mulher.

    Mas dessa vez era diferente.

    E ninguém parecia entender isso.

    Os olhos encontraram Derek novamente.

    A raiva voltou imediatamente.

    Porque o que mais tinha machucado não foi o soco.

    Nem os gritos.

    Nem a humilhação de sair na porrada no meio do hospital.

    Foi o olhar.

    O jeito que Derek olhou para ele.

    Como se Mark estivesse usando Lexie.

    Como se ela fosse apenas mais uma na lista.

    Como se aquilo fosse uma fase.

    Uma brincadeira.

    Uma diversão temporária.

    Mark apertou os dentes.

    Porque não era.

    Nunca foi.

    Pela primeira vez na vida, aquilo era real.

    Ele ainda conseguia lembrar da primeira vez que percebeu que estava apaixonado por Lexie. Não atraído. Não interessado.

    Apaixonado.

    E aquilo o aterrorizou mais do que qualquer cirurgia complicada.

    Porque Lexie Grey tinha conseguido algo que ninguém mais conseguiu.

    Ela tinha entrado na bagunça que era sua vida e simplesmente ficado.

    Tinha visto suas falhas.

    Suas inseguranças.

    Seus erros.

    E continuava ali.

    Mark apoiou a cabeça na parede atrás de si e fechou os olhos por alguns segundos.

    A imagem dela surgiu imediatamente.

    O sorriso.

    O jeito que falava rápido quando estava nervosa.

    A maneira como organizava pensamentos em voz alta.

    O olhar que lançava quando tentava fingir que não estava preocupada.

    Era impossível não pensar nela.

    Principalmente agora.

    Porque a última coisa que queria era que Lexie descobrisse aquela briga.

    Ou pior.

    Que pensasse que era culpa dela.

    Porque não era.

    Aquilo era entre ele e Derek.

    Dois idiotas agindo como idiotas.

    Como sempre.

    Mark soltou lentamente o ar e passou a mão pelos cabelos bagunçados.

    Owen continuava ao lado dele, sem afrouxar a vigilância nem por um segundo.

    Talvez porque conhecesse aquela expressão.

    Talvez porque soubesse que Mark ainda não tinha desistido da ideia de levantar.

    E, sinceramente?

    Ele não tinha mesmo.

    Os músculos ainda estavam tensos.

    A adrenalina ainda queimava.

    Parte dele queria atravessar o corredor e terminar aquela discussão do jeito mais simples possível.

    Com mais socos.

    Mas uma parte maior já sabia que aquilo não resolveria nada.

    Porque o problema não era Derek.

    Nem a briga.

    Nem os hematomas que surgiriam depois.

    O problema era que Mark amava Lexie.

    E, pela primeira vez na vida, amava alguém o suficiente para não desistir quando as coisas ficavam difíceis.

    Por isso, mesmo sentado no chão, machucado e furioso, um pequeno sorriso torto apareceu no canto de sua boca.

    Porque, no final das contas, ele enfrentaria Derek mil vezes se fosse preciso.

    E ainda assim escolheria Lexie todas as vezes.