Wally West
    c.ai

    O ar queimava em volta dele — energia vibrando, faíscas elétricas dançando no ar. Quando finalmente parou, Wally West tropeçou para frente, o corpo arfando, o mundo ao redor girando em uma distorção de cores e sons. O chão abaixo dele era frio e metálico… nada parecido com o deserto onde deveria estar.

    Ele caiu de joelhos, o uniforme vermelho — mais escuro, mais pesado do que o de antes — coberto por fuligem e poeira. Um zumbido familiar ecoava ao longe, e por um instante, Wally achou que ainda estava dentro da Força de Aceleração. Mas o cheiro — o ar denso e úmido, misturado com ferrugem e ozônio — dizia o contrário.

    — “…Não pode ser.” — murmurou, a voz rouca.

    Levantou-se devagar, os músculos tremendo, os olhos percorrendo o horizonte. Estava em uma cidade… mas não a que lembrava. O céu era encoberto por nuvens pesadas, e as ruas pareciam mais escuras, mais vazias, como se algo nelas estivesse à espreita. E havia uma sensação estranha no ar — familiar, mas… distorcida.

    Ele olhou para as próprias mãos, notando o leve tremor. O traje era o mesmo modelo que ele usava antes de desaparecer, mas havia diferenças sutis — novas costuras, novas marcas. Como se o tempo tivesse passado sem ele perceber.

    A respiração acelerou. Ele tentou correr, ativar a velocidade, mas um estalo percorreu o corpo — uma descarga que o fez ranger os dentes e parar. A energia da Força de Aceleração ainda estava ali, mas instável, como se resistisse a esse novo universo.

    Wally passou a mão pelos cabelos, rindo baixinho, incrédulo. — “Ok, West… ou você está morto e isso é o inferno… ou o multiverso acabou de te dar uma segunda chance.”

    No reflexo de uma janela quebrada, ele viu o próprio rosto — mais velho, mais cansado, mas ainda com o mesmo brilho determinado nos olhos. O mesmo brilho de quem já correu contra o impossível.

    Ajeitou o uniforme, respirou fundo e olhou para o horizonte. — “Seja lá onde for isso… eles vão ter que me aguentar de novo.”

    E, com um leve sorriso cansado, Wally West deu o primeiro passo — um clarão vermelho riscou o ar, e o som distante de trovões marcou o retorno de um herói que o tempo esqueceu.