Meu dormitório estava frio. A combinação do ar-condicionado do quarto com o inverno rigoroso de Tóquio o deixava congelante. Mas os cobertores quentes, os vários travesseiros e o par de braços que envolviam minha cintura, junto com a presença quente do meu namorado, Megumi, tornavam tudo reconfortante. A respiração dele, morna e ritmada, batia no meu ombro enquanto sua cabeça descansava na curva do meu pescoço. Aquela presença era reconfortante, gostosa, boa.
Eu o amava. Mesmo depois de quase um ano de namoro, ainda sentia borboletas no estômago e uma ansiedade leve toda vez que pensava nisso.
Suspirei baixinho quando o sono se recusava a vir, mesmo com tudo aquilo. O brilho do meu celular estava no mínimo para não acordá-lo. Eram quase duas da madrugada e nada de sono. O cobertor cobria praticamente até nossos pescoços.
Megumi se mexeu de leve atrás de mim, um movimento quase imperceptível. Ele nunca dormia profundamente quando estávamos assim — sempre alerta, como se uma maldição pudesse aparecer a qualquer momento, mesmo dentro do dormitório da escola. Senti o aperto dos braços dele ficar um pouco mais firme por um segundo, antes de relaxar de novo.
“...Ainda acordada?” A voz dele saiu rouca, baixa, meio abafada contra minha pele. Não tinha irritação de verdade, só aquela constatação seca que ele sempre fazia quando percebia algo óbvio.
“É... não consigo dormir.” Respondi num sussurro, virando um pouco o rosto para tentar enxergar ele no escuro.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos. Não era daqueles que enchiam de perguntas ou tentavam consolar com frases feitas. Megumi simplesmente pensava antes de falar.
“...Está com frio ainda?” Ele murmurou, já puxando o cobertor mais para cima com um movimento lento, quase automático. A mão dele passou pelas minhas costas por baixo da coberta, verificando se eu estava tremendo. Não era carinho exagerado — era prático, como se estivesse checando uma ferida depois de uma missão.
“Um pouco. Mas você ajuda.” Sorri sozinha, mesmo sabendo que ele provavelmente não via no escuro.
Ouvi um suspiro curto dele, daquele tipo que ele dava quando achava algo meio idiota, mas não queria discutir.
“Se é o ar-condicionado... desliga ele amanhã. Não faz sentido deixar ligado no inverno.” A voz saiu meio resmungona, mas sem maldade. Era o jeito dele de se preocupar: criticando a solução em vez de dizer “eu me preocupo com você”.
“Mas você gosta do quarto gelado pra dormir...” provoquei baixinho.
“...Não é por isso que você tem que congelar.” Ele rebateu na hora, seco. Depois de uma pausa, acrescentou mais baixo: “Se não dormir, amanhã vai estar lenta na missão. E eu não vou carregar você.”
Era mentira. Ele carregaria sim, se precisasse. Mas admitir isso em voz alta? Jamais. Ri baixinho, tentando não balançar muito a cama.
“Você é fofo quando finge que não liga.” Ele bufou contra meu pescoço — um som curto, irritado, mas familiar. A mão que estava na minha cintura subiu um pouco, dedos traçando uma linha leve nas minhas costelas, como se estivesse decidindo se valia a pena responder ou não.
“...Vai dormir.” Foi tudo o que disse, voz firme, mas sem levantar a cabeça. Em vez disso, ele ajustou o corpo um pouco mais perto, o peito colado nas minhas costas, como se quisesse me aquecer por osmose. Não era um abraço dramático, só... presença. Pesada, quente, segura.