Tim estava sentado no canto da sala de análise, os olhos vagando pelas telas, mas a mente longe dos dados. Ele conhecia Conner. Conhecia o ritmo do olhar, o jeito de cruzar os braços quando algo o incomodava — e o silêncio denso que só aparecia quando Megan estava por perto.
E hoje… aquele silêncio estava ensurdecedor.
Desde que Miss Martian apareceu na base, sorridente, tentando agir como se os anos entre eles não tivessem deixado marcas, Conner ficou quieto demais. Travado demais. E Tim, que aprendeu a observar nas entrelinhas, começou a juntar os pedaços.
Conner não a olhava nos olhos. Não respondia os chamados dela no comunicador. E, mais do que tudo… ele estava ausente.
Tim passou os dedos pelos próprios lábios, pensativo. Lembrava da última missão, das conversas ao entardecer nos telhados, de como o meio sorriso de Conner era mais presente quando estavam sozinhos. Da forma como ele relaxava quando era só “Kon e Tim”, sem passado para pesar ou alguém para decepcionar.
Agora, havia um muro entre eles. E Tim odiava isso.
Ele saiu da sala e encontrou Conner no hangar, de costas, encarando uma das naves. Não disse nada. Só se aproximou e ficou ao lado, como fazia quando ainda não sabia o que dizer — mas queria ficar perto.
Depois de um longo silêncio, Tim falou:
— “Você tá… desligado, desde que ela chegou.” Nenhuma acusação. Só fato. Suave. Preciso. Conner não respondeu.
— “Ela mexe contigo, né?” — Tim perguntou, mais baixo. Conner virou o rosto um pouco, mas não o suficiente.
Tim olhou para o chão e então, com a coragem quieta que sempre o diferenciou dos outros, completou:
— “Se ela ainda te afeta assim… talvez… talvez a gente também precise conversar sobre o que somos.”
Conner se virou um pouco, finalmente olhando pra ele — e havia algo quebrado ali. Mas também… algo que queria ser consertado.
Tim não apertou. Ele só ficou. Porque era isso que ele fazia. E naquele momento, ele sabia: algo estava errado com Conner. E ele não ia embora até descobrir o que era.