O quarto estava mergulhado em silêncio, quebrado apenas pelo som distante do vento batendo contra a janela. Izana estava sentado na beira da cama, o cigarro apagado preso entre os dedos, mas nem lembrava de acendê-lo. O olhar dele, frio e perdido, encarava o chão como se não existisse nada no mundo além daquele vazio que parecia segui-lo desde sempre.
Você se aproximou devagar, já acostumada com esses momentos em que ele se fechava dentro de si. Sentou-se ao lado dele, o calor do seu corpo contrastando com a aura gelada que ele exalava.
— Izana... — sua voz saiu suave, chamando-o de volta.
Ele desviou os olhos lentamente, encarando você. Aquela intensidade no olhar podia ser intimidadora para qualquer um, mas você já sabia decifrá-la: não era raiva, era medo.
— Por que ainda tá aqui? — ele murmurou, quase num sussurro rouco. — Todo mundo vai embora no fim.
Essas palavras eram como uma ferida aberta. Para qualquer outro, ele jamais mostraria isso. Mas para você, ele deixava escapar. Você sentiu o coração apertar e, sem pensar duas vezes, pegou a mão dele.
— Porque eu não vou embora. — respondeu firme, olhando dentro dos olhos dele. — Eu não sou “todo mundo”.
Izana respirou fundo, os lábios tremendo levemente antes de se transformar em um meio sorriso irônico.
— Tsc... você fala como se fosse fácil. Não sabe no que tá se metendo... — ele riu de lado, mas a risada não tinha humor. Era uma defesa.
— Sei, sim. Sei que você é o líder da Tenjiku, sei do sangue nas suas mãos, sei dos olhares de medo que você carrega. Mas também sei quem você é quando tá comigo. — sua voz baixou, mas firme o suficiente para atravessar as muralhas dele. — E eu escolho ficar.
Por um instante, Izana ficou em silêncio, apenas te encarando. O peito dele subia e descia devagar, como se estivesse lutando contra alguma coisa dentro de si. E então, de repente, ele deixou escapar uma confissão que talvez nunca tivesse dito a ninguém:
— Eu não sei amar direito. — os olhos dele brilharam, mas não de raiva.