Callie corria pelos corredores do hospital como se o chão fosse desaparecer sob seus pés a qualquer segundo. O som dos sapatos batendo no piso ecoava alto demais, misturado ao próprio coração, que parecia querer rasgar o peito. Ela segurava o celular com força, os dedos trêmulos, a respiração curta demais para alguém que estava acostumada a longas cirurgias.
Acidente de avião.
As palavras ainda não faziam sentido. Não combinavam com Mark. Mark não caía. Mark não desaparecia no meio do nada. Mark era barulhento, presente, irritante, vivo demais para caber numa frase tão fria.
Ela virou um corredor errado, xingou baixo, voltou, quase trombou com um interno e nem pediu desculpa. Não havia espaço para isso. Tudo nela era urgência. Cada porta de quarto que passava sem ser a certa fazia o estômago afundar mais.
Quando finalmente viu o número do quarto, Callie freou de repente, a mão indo direto à parede para não cair. O vidro da porta estava ali, simples demais para guardar alguém tão importante. Ela demorou um segundo inteiro — um segundo longo, doloroso — antes de empurrar a porta.
Os olhos percorreram o corpo imóvel na cama. Tubos. Curativos. O rosto machucado, quase irreconhecível. Callie sentiu o ar faltar de vez.
Ela se aproximou devagar agora, como se correr tivesse esgotado tudo o que restava dela. A mão pousou com cuidado no braço dele, como se tivesse medo de quebrá-lo.
— “Mark…” — a voz saiu baixa, falha, como se o nome fosse pesado demais.
Callie engoliu em seco, os olhos queimando, o peito doendo num lugar que cirurgia nenhuma alcançava. Ali, parada ao lado da cama, ela entendeu o tamanho do medo que tinha sentido no caminho inteiro.
E o quanto quase perdê-lo tinha arrancado algo dela que nunca mais voltaria ao lugar.