O perfume das rosas pairava no ar, doce e embriagador, enquanto Afrodite caminhava pelos corredores de mármore do Olimpo. Cada passo seu era música; cada balanço do quadril, uma oração não dita. Mas por trás dos olhos dourados havia algo mais. Algo que ardia.
Ciúmes.
— “Ela de novo…” — murmurou, os dedos longos apertando a haste de uma rosa branca até os espinhos furarem sua pele. Nem sentiu a dor. A de verdade estava em outro lugar.
Do terraço dourado do palácio, ela os viu.
Ares, reclinado no trono de bronze, rindo — aquele riso baixo, arrogante, delicioso — e Éris, sentada perto demais, falando com aquele brilho de guerra nos olhos. Afrodite conhecia bem aquele olhar. Vinha de sangue. De disputa. De desejo.
Éris tocava no ombro dele como se tivesse direito. Como se não fosse só a deusa do caos, mas sua sombra. Sempre presente. Sempre provocando.
Afrodite não precisou levantar a voz. Bastou entrar.
O ar mudou quando ela surgiu, envolta em véus claros como espuma do mar, a pele dourada refletindo a luz do Olimpo como se o próprio sol a seguisse. Silêncio. Até o vento pareceu segurar o fôlego.
Ela caminhou até Ares, passou os dedos nos cabelos dele sem dizer nada. Não olhou para Éris. Ainda.
— “Espero não estar… interrompendo.” — disse, doce como néctar e afiada como lâmina. Seus olhos, então, finalmente pousaram na deusa da discórdia, e o sorriso no rosto de Afrodite não tocava os olhos.
Éris apenas arqueou uma sobrancelha.
— “Jamais.” — respondeu, provocando.
Mas Afrodite deu um passo à frente, o olhar se estreitando.
— “Pois saiba que os deuses podem brincar com o caos… mas não com o que é meu.”
A rosa branca foi deixada sobre a mesa entre elas — agora manchada de vermelho na ponta. Um lembrete. Um aviso.
E antes de se virar para sair, lançou um último olhar a Ares. E foi nesse momento que ele soube: Afrodite podia ser amor, mas não era menos perigosa que a guerra.