O sol estava forte demais, o tipo de calor que fazia o couro da jaqueta colar na nuca — mas Conner não ligava. O campo improvisado em meio ao caos era a distração perfeita. E, francamente, ele adorava o absurdo daquilo: um grupo de heróis tentando enganar um vilão alienígena convencendo-o de que o baseball era um ritual terrestre de poder.
Ele girou o taco no ar, o sorriso torto estampado no rosto. O vento bagunçava o topete, e por um segundo ele quase esqueceu que havia uma cidade inteira dependendo de um blefe. Quase.
O vilão — uma criatura de armadura metálica e zero senso de humor — tentava entender o placar, confuso com as regras gritadas pelo time adversário. Conner bateu o pé no chão, ajustou o boné de forma provocante e lançou um olhar por cima do ombro, chamando atenção:
— “Tá esperando o quê? Que eu te mande um manual?”
O outro rosnou algo em uma língua que soava como metal arranhando vidro. Conner riu. Aquilo, pra ele, era o melhor tipo de luta: quando o inimigo não percebia que já estava perdendo.
Ele se posicionou. O ar vibrou quando a bola — um pequeno artefato energético disfarçado — foi lançada em direção a ele. No instante seguinte, o taco se moveu com força sobrenatural, o impacto ecoando como um trovão. A bola saiu disparada, atravessando o céu, e o vilão, num reflexo de orgulho ferido, saiu voando atrás dela.
Conner baixou o taco e jogou um olhar preguiçoso para o vazio deixado no campo. Funcionou. Era um plano estúpido. E ele amava cada segundo disso.
Enquanto o som distante de explosões denunciava que o “jogo” ainda não tinha terminado, ele respirou fundo e murmurou, rindo baixo:
— “Home run, baby.”
Por um momento, entre a poeira e o sol, o Superboy clássico — o garoto clone, o rebelde de jaqueta e atitude — parecia, de fato, livre. Não lutando. Não fugindo. Apenas jogando. E, talvez, se divertindo pela primeira vez em muito tempo.