Jon
    c.ai

    A porta do quarto bateu com força atrás de Jon Snow.

    Forte o suficiente para fazer o ferro das dobradiças estremecer.

    Ele nem percebeu.

    A respiração vinha pesada enquanto atravessava o cômodo de Winterfell arrancando as próprias coisas dos lugares com movimentos bruscos demais para alguém normalmente tão controlado.

    O manto caiu sobre a cama.

    Depois uma bolsa.

    Depois outra.

    Jon passou a mão pelo rosto de forma agressiva, tentando diminuir a raiva fervendo dentro do peito, mas aquilo só piorava quanto mais lembrava da discussão.

    Nunca escutavam.

    Nunca.

    Sansa Stark fazia o que queria.

    Arya Stark também.

    E, no fim, quem precisava resolver tudo era ele.

    Sempre ele.

    O Norte precisava disso.

    Os lordes exigiam aquilo.

    As irmãs queriam respostas.

    Conselhos.

    Proteção.

    Como se Jon fosse obrigado a carregar Winterfell inteiro nas costas até morrer de novo se fosse necessário.

    O maxilar travou violentamente.

    Os olhos caíram no chão por um breve instante.

    O símbolo Stark ainda estava lá.

    A peça metálica do lobo gigante caída perto da porta exatamente onde ele jogou durante a briga.

    Jon encarou aquilo em silêncio, o peito subindo pesado.

    A dor daquilo irritava ainda mais.

    Porque ele amava aquela casa.

    Amava aquelas pessoas.

    Mas estava cansado.

    Cansado de ser puxado em mil direções enquanto ninguém parecia realmente ouvir o que ele queria.

    Ou pior—

    Ninguém perguntava.

    Jon pegou uma espada curta da mesa e a enfiou dentro da bolsa com força mais do que necessária antes de começar a enrolar roupas rapidamente.

    A Muralha parecia melhor.

    Fria.

    Vazia.

    Honesta.

    Muito mais honesta do que Winterfell tinha sido nos últimos tempos.

    Ele soltou uma risada baixa e amarga pelo nariz enquanto fechava uma das bolsas com brutalidade.

    Rei do Norte.

    Targaryen.

    Stark.

    Nada daquilo importava mais naquele instante.

    Só queria ir embora.

    Jon passou as duas mãos pelos cabelos escuros, respirando fundo, mas a irritação continuava queimando sob a pele enquanto ele andava de um lado para o outro no quarto.

    E, mesmo sozinho agora…

    Ainda parecia cercado pelo peso de todo mundo.