O salão estava em silêncio quando os senhores começaram, mais uma vez, a sussurrar sobre sangue, linhagem e direito ao trono.
Jon Snow permaneceu de pé ao lado do trono, não abaixo — mas também não acima. Ao lado.
O estandarte do dragão de Daenerys Targaryen pendia atrás dele, vermelho contra a pedra escura.
Um dos lordes finalmente disse em voz alta o que todos pensavam: que ele tinha o nome. Que tinha o sangue. Que Westeros o aceitaria mais facilmente.
Jon não ergueu a voz.
Deu apenas um passo à frente.
— “Sangue não governa. Escolhas governam.”
O salão ficou imóvel.
Ele retirou devagar o broche que carregava — não de lobo, não de dragão — e o colocou sobre a mesa do conselho.
— “Eu não quero um trono.”
Não havia hesitação em seu olhar. Nenhuma luta interna aparente. Ele já tinha feito aquela guerra dentro de si, noites antes.
— “Ela conquistou este reino com fogo e perdas que vocês nunca conheceram. Eu lutei para proteger os vivos. E continuarei lutando… ao lado dela.”
Jon virou-se levemente, posicionando-se de forma clara — não como pretendente, mas como escudo estratégico.
— “Se houver dúvidas, que recaiam sobre mim. Se houver rebelião, eu a enfrentarei. Mas não usarei meu nome para dividir o que mal começamos a unir.”
Ele apoiou as mãos sobre a mesa do conselho, inclinando-se sobre os mapas.
— “O Norte respeita força. O Sul respeita estabilidade. Daremos ambos. Não com dois governantes disputando sombras… mas com uma rainha e um reino unido.”
Quando terminou, não buscou aplausos.
Apenas voltou ao seu lugar ao lado dela.
Não como herdeiro.
Como escolha.