O silêncio no Castelo Infinito nunca era realmente silêncio — era um sussurro constante, paredes que se moviam, corredores que se dobravam, um labirinto vivo moldado pela vontade de Muzan. No entanto, naquele instante, tudo pareceu parar. Como se até mesmo a fortaleza tivesse prendido a respiração.
Yoriichi Tsugikuni caminhava pelos corredores. Seu passo era leve, mas cada som ecoava como um trovão nos corredores vazios. Os olhos vermelhos, serenos e penetrantes, percorriam as salas distorcidas. A presença dele era tão avassaladora que até os biwas que sustentavam a estrutura tremeram sob seus dedos invisíveis.
Ele estava vivo novamente. Contra toda lógica, contra a própria ordem do destino, Yoriichi havia retornado. Mas não era um retorno para buscar consolo — era uma convocação inevitável. O Castello reconhecia a ameaça, e por isso rangia em protesto.
Yoriichi parou no centro de um grande salão, as paredes pulsando como carne viva ao redor. Ele ergueu o rosto, fechou os olhos por um instante. No ar, pairava o cheiro metálico de sangue e morte — o império de Muzan. A katana em sua mão refletia um brilho rubro, como se absorvesse o ódio que impregnava aquele lugar.
— “Este… é o coração da escuridão…” — murmurou, sua voz calma, mas carregada de uma firmeza inquebrantável.
Um estalo percorreu as paredes, e sombras começaram a se mexer. As formas dos Onis menores se agitavam, atraídas pela presença dele. Mas não havia medo nos olhos de Yoriichi. Apenas compaixão profunda e uma certeza indestrutível.
Ele ergueu a lâmina. No instante em que inspirou, seu corpo inteiro se alinhou com a respiração. O ar ao redor pareceu se aquecer, e chamas douradas e vermelhas surgiram ao redor dele, iluminando o castelo distorcido. A Respiração do Sol — pura, majestosa, inquebrantável.
— “Se este castelo é eterno… então queimarei sua eternidade até que reste apenas a verdade.”
O primeiro movimento foi quase invisível. Quando a lâmina cortou o ar, o espaço tremeu, e os Onis que avançavam desapareceram em cinzas antes mesmo de compreenderem a morte. O fogo dançava ao redor de Yoriichi, mas não era destrutivo por si só — era justiça encarnada, luz contra a noite.
O Castelo Infinito gemeu, se dobrando, como se tentasse conter a chama que jamais deveria ter retornado. E ainda assim, Yoriichi avançava, passo a passo, em direção ao coração daquele lugar — em direção a Muzan. O reencontro era inevitável. A história ainda não havia terminado.