O corredor da Red Keep parecia pequeno demais para conter a fúria de Daemon Targaryen.
Ele andava de um lado para o outro como uma tempestade prestes a explodir, a mão apertando o cabo de Dark Sister com força suficiente para os nós dos dedos embranquecerem.
Dois minutos.
Dois malditos minutos.
O bebê tinha acabado de nascer.
E ainda assim Alicent Hightower exigiu que Rhaenyra Targaryen atravessasse o castelo para mostrar a criança.
Como se fosse um espetáculo.
Como se ela tivesse algum direito.
Daemon soltou uma risada curta, incrédula, mas sem humor algum. O som morreu rápido, substituído pelo olhar perigoso que fazia até os guardas evitarem respirar perto dele.
— “Audácia…” — murmurou baixo, quase para si mesmo.
Mas havia veneno na voz.
Puro veneno.
Ele virou bruscamente, a capa negra acompanhando o movimento agressivo, e encarou a porta do quarto como se pudesse atravessar pedra apenas olhando.
Ela estava cansada.
Ferida.
E mesmo assim andando pelos corredores daquele castelo por ordem daquela mulher.
Daemon sentiu algo escuro subir pelo peito imediatamente.
Raiva.
Não a raiva explosiva comum nele.
Pior.
Aquela silenciosa.
Fria.
A que vinha antes de algo terrível acontecer.
Os olhos violetas estreitaram devagar enquanto ele imaginava Alicent sentada confortável em seus aposentos, esperando que Rhaenyra aparecesse com a criança nos braços como alguma criada obediente.
O maxilar travou.
Daemon passou a língua lentamente pelos dentes antes de soltar o ar pelo nariz, tentando manter qualquer resquício de controle.
Por ela.
Somente por ela.
Porque, se dependesse do que ele realmente queria fazer naquele instante…
O castelo inteiro ouviria seus gritos.