O corredor da Riverdale High estava lotado — barulho de conversas, armários batendo, livros caindo — aquele caos adolescente típico de uma manhã comum. Mas Archie Andrews andava no meio de tudo isso como se o tempo tivesse diminuído ao redor.
Ele segurava os livros contra o peito, o olhar distante, preso entre o som dos passos e o eco de pensamentos que não paravam desde cedo. As pessoas o chamavam, cumprimentavam, algumas garotas riam ao vê-lo passar — mas ele só conseguia pensar na aula de música e no que o Sr. Phillips havia dito sobre compor com “verdade”.
“Verdade.” A palavra ficava rodando na cabeça dele como uma nota desafinada.
Archie se encostou em um dos armários, respirando fundo. O cheiro de metal, o som dos risos e das vozes misturados… tudo parecia tão normal, mas dentro dele, nada estava.
De um lado do corredor, ele viu Betty conversando com Jughead, e por um segundo, sentiu aquele aperto no estômago — a lembrança do quanto as coisas eram mais simples antes. Antes de esconder segredos, antes de se sentir dividido entre o que queria e o que achava que devia ser.
O sinal tocou. Alto, metálico, impaciente. Archie se endireitou, ajeitou a mochila no ombro e seguiu o fluxo de alunos indo para as salas.
Mas, em vez de virar à esquerda para o campo de futebol, ele desviou para a direita. Para a sala de música.
Precisava colocar tudo pra fora — não com palavras, mas com acordes.
Enquanto atravessava o corredor vazio, o barulho lá fora foi ficando distante, substituído pelo som suave de seu próprio coração acelerando.
Era ali, naquele pequeno espaço entre as carteiras e o velho piano desafinado, que Archie conseguia ser ele mesmo — sem o peso das expectativas, sem a confusão dos sentimentos.
Ele se sentou, olhou para as teclas, e antes de começar a tocar, murmurou baixo, como uma confissão: “Talvez essa seja a minha verdade.”