Edmund Pevensie
    c.ai

    A fogueira já estava reduzida a brasas avermelhadas, iluminando fracamente a areia úmida. O mar sussurrava ao fundo, constante, quase hipnótico.

    Edmund Pevensie estava sentado um pouco afastado dos outros, os braços apoiados para trás, as pernas estendidas na areia fria. Diferente de quando era mais novo, não havia inquietação em seus movimentos — apenas reflexão.

    Alguns tripulantes dormiam espalhados perto das velas recolhidas. Ele observava cada um deles por alguns segundos, certificando-se de que realmente descansavam. Havia aprendido, da maneira mais difícil, o peso das escolhas erradas. Agora, carregava a responsabilidade quase como uma segunda pele.

    Edmundo pegou um pequeno pedaço de madeira queimado e começou a riscar distraidamente a areia. Linhas simples. Estratégias imaginárias. Rotas possíveis caso algo desse errado ao amanhecer.

    Seus olhos se ergueram para o céu estrelado. Ele respirou fundo, deixando o ar salgado encher os pulmões. A lembrança do frio cortante de outros tempos ainda vivia dentro dele — uma memória que o lembrava constantemente de quem foi… e de quem escolheu se tornar.

    Um barulho vindo da mata fez sua cabeça virar rapidamente. Ele se levantou sem hesitar, os sentidos atentos. A mão foi ao punho da espada, mas não com impulsividade — com preparo.

    Após alguns segundos, o silêncio voltou.

    Edmundo relaxou apenas o suficiente para voltar a se sentar, mas permaneceu acordado. Se antes teria agido por orgulho ou medo, agora agia por lealdade.

    Ele lançou um olhar para o mar escuro.

    Não temia mais as sombras.

    Aprendera a caminhar através delas.