A neve caía silenciosa sobre as torres sombrias de Winterfell, cobrindo as pedras como se tentasse esconder o que aquele lugar havia se tornado.
Sansa Stark caminhava pelos corredores com passos medidos, o capuz puxado sobre os cabelos ruivos. Cada movimento era calculado. Cada respiração, controlada.
Ela já aprendera.
Em Winterfell agora, cada parede podia ter ouvidos.
Cada sombra podia esconder um dos homens de Ramsay Bolton.
Sansa parou diante de uma porta simples no corredor lateral. O coração batia forte no peito, mas o rosto permanecia calmo — o mesmo rosto que aprendera a usar em Porto Real, diante de reis cruéis e cortes perigosas.
Ela bateu uma vez.
Silêncio.
Então entrou.
Seus olhos encontraram imediatamente a figura encolhida perto da janela.
Theon Greyjoy.
Por um momento, Sansa apenas o observou. Ainda era estranho vê-lo assim — quebrado, assustado, tão diferente do rapaz arrogante que crescera em Winterfell.
Mas não havia tempo para memórias.
Ela fechou a porta atrás de si com cuidado e avançou alguns passos, a voz baixa, firme apesar do medo que tentava subir pela garganta.
— “Precisamos ir embora.”
Sansa manteve o olhar fixo nele. Não havia lágrimas agora, não havia hesitação.
Só determinação.
Ela não iria morrer naquele castelo.
Não nas mãos de Ramsay.
Suas mãos apertaram o tecido pesado do vestido enquanto se aproximava mais um passo.
— “Hoje à noite.”
O vento uivava do lado de fora das paredes, carregando neve contra as janelas como dedos batendo no vidro.
Sansa ergueu um pouco o queixo, o olhar duro de alguém que já sobrevivera a coisas demais.
Ela não era mais a menina que sonhava com príncipes.
Era uma Stark.
E aquela noite… seria a última que passaria como prisioneira em sua própria casa.