A tela chia.
A imagem do cenário colorido aparece distorcida — saturação alta demais, sombras que não pertencem ao desenho original. A trilha alegre toca… mas fora de ritmo.
E então ele surge.
Wally Darling está parado no centro da sala. Sorriso fixo. Olhos grandes demais para o enquadramento. Ele não pisca.
A voz entra atrasada, como se estivesse sendo puxada de muito longe.
— “Oi, vizinho.”
A fita falha por um segundo. Um frame preto. Quando a imagem volta, ele está mais perto da câmera. Não houve transição. Não houve corte visível.
Os outros personagens não estão ali.
O cenário parece… vazio. Silencioso demais.
Wally inclina levemente a cabeça, o sorriso permanecendo exatamente no mesmo ângulo.
— “Você consegue me ver… não consegue?”
A música para abruptamente.
A imagem começa a perder cor, drenando lentamente como tinta na água. Apenas os olhos dele permanecem vibrantes — acompanhando cada movimento da câmera, como se estivesse olhando diretamente para quem assiste.
Um ruído grave ecoa no fundo, quase como respiração amplificada.
Ele levanta a mão e acena. O movimento é lento demais para ser natural. Cada quadro parece se arrastar.
— “Eu sempre consigo ver você.”
A tela distorce violentamente. Por um frame — apenas um — o sorriso desaparece. O rosto fica neutro. Vazio.
Então retorna.
Mais largo.
A gravação começa a repetir a mesma cena: Wally parado, acenando, dizendo “Oi, vizinho” em camadas sobrepostas, vozes desalinhadas, algumas mais graves, outras infantis demais.
No último segundo antes da fita cortar completamente, ele se aproxima tanto que ocupa toda a tela.
Os olhos não refletem luz.
Refletem… você.
E então — estática.