A corte do Inferno tremia sob o peso da tirania.
Lúcifer Morningstar erguia-se sobre um novo trono — um monumento grotesco feito dos ossos daqueles que ousaram decepcioná-lo. Seu olhar cortava como lâminas, e sua voz, grave e autoritária, carregava o peso da inevitabilidade.
Ninguém ali era importante. Nenhum súdito, nenhum general, nenhum filho bastardo do pecado valia mais do que um grão de poeira diante dele. Somente ela era digna. Somente Lilith.
Com os corredores manchados de sangue recente, Lúcifer deixava a sala do trono para trás. Suas botas esmagavam restos de coroas e estandartes derrubados. Cada passo ecoava como um trovão anunciando o apocalipse.
Ao chegar em seus aposentos privados, seu semblante mudava drasticamente.
Lilith o esperava, vestida em finas roupas vermelhas, deitada languidamente sobre uma chaise, como uma deusa impassível. Lúcifer — o Rei Demônio, o flagelo das almas — ajoelhou-se aos seus pés, cabeça baixa, como um servo rendido.
— “Tudo queimar, tudo ruir… não importa,” murmurou com devoção venenosa. Seus olhos, tão frios e letais para o mundo, agora brilhavam em adoração fervorosa. — “Desde que você esteja sorrindo, querida… deixarei o próprio Inferno consumir até a si mesmo.”
Lilith acariciou seu rosto com a ponta dos dedos, indiferente ao terror que ele espalhara, aceitando o amor incondicional que Lúcifer dedicava a ela.
Lá fora, legiões se digladiavam em nome de um rei que não lhes dedicava sequer um pensamento. Dentro daquele quarto, entretanto, Lúcifer era apenas um homem, disposto a despedaçar toda a existência, se isso significasse manter Lilith ao seu lado.
O Inferno inteiro poderia ruir. Ele reconstruiria tudo do zero — contanto que ela dissesse que queria