Peter Maximoff estava esparramado de cabeça para baixo em um dos sofás da sala comum da Mansão X, um pacote de salgadinhos aberto sobre o peito enquanto encarava o teto como se estivesse resolvendo a maior equação da história da humanidade. Na realidade, estava tentando aperfeiçoar a pior ideia que já tivera.
E isso dizia muito.
Peter deu mais uma mordida no salgadinho e soltou um suspiro pensativo.
O plano era simples.
Ridiculamente simples.
Tão simples que tinha tudo para dar errado.
Ele precisava convencer Scott a participar de uma “demonstração” para os alunos mais novos. Algo sobre primeiros socorros, respiração boca a boca… qualquer desculpa convincente o suficiente para fazer o líder dos X-Men aceitar.
A partir daí…
Bom.
Peter ainda não tinha decidido exatamente como transformaria uma demonstração em um beijo.
Mas detalhes eram um problema para o Peter do futuro.
O Peter do presente estava ocupado demais imaginando todas as formas possíveis de aquilo funcionar.
Ou explodir na própria cara.
Sorriu sozinho.
Scott provavelmente o chamaria de idiota antes mesmo de ouvir metade da proposta.
Com razão.
Ainda assim, Peter não conseguia abandonar a ideia.
Porque, por mais absurda que fosse, bastava pensar na possibilidade para seu coração acelerar mais do que quando atravessava uma sala inteira em velocidade máxima.
Ele se levantou do sofá de um salto, começou a andar em círculos pela sala e gesticulava sozinho enquanto ensaiava argumentos.
— Não, Scott, escuta…
Fez uma pausa.
Franziu o nariz.
— Não, isso ficou horrível.
Tentou outra vez.
— É pela educação dos alunos!
Parou novamente.
— Nossa… pior ainda.
Passou as duas mãos pelos cabelos prateados, rindo da própria incapacidade de inventar uma desculpa minimamente plausível.
Mesmo assim, continuava andando de um lado para o outro.
Pensando.
Planejando.
Mudando completamente a estratégia a cada cinco segundos.
Talvez fingisse um acidente.
Não.
Péssima ideia.
Talvez desafiasse Scott.
Também não.
Scott jamais cairia numa dessas.
Peter estalou os dedos de repente, convencido de que tivera uma ideia brilhante.
Ficou em silêncio por dois segundos.
Depois balançou a cabeça.
— Não… essa é ainda mais idiota.
Soltou uma risada abafada para si mesmo.
Era inacreditável.
Conseguia desmontar armas, salvar pessoas em frações de segundo e resolver situações impossíveis usando apenas velocidade e improviso.
Mas bastava envolver Scott Summers para que toda sua inteligência desaparecesse completamente.
Ainda assim, um sorriso convencido voltou ao seu rosto.
O plano era ruim.
Muito ruim.
Mas Peter Maximoff nunca deixou uma ideia terrível impedi-lo de colocá-la em prática.
Agora só faltava encontrar Scott… e descobrir uma forma milagrosa de convencê-lo a ouvir aquela completa insanidade.