O ruído constante dos sistemas da base — aquele zumbido metálico e grave das máquinas — já tinha virado trilha sonora na cabeça de Oliver Queen. O Arqueiro Verde estava sentado sozinho na área de convivência da Torre de Vigilância, um espaço branco e estéril demais pro gosto dele. O tipo de lugar que cheirava a aço e tecnologia, mas onde o café parecia vir direto do inferno.
Ele apoiava os cotovelos na mesa, o capuz abaixado, o traje ainda marcado com fuligem e poeira de uma missão recente. Diante dele, um prato com algo que se dizia ser “macarrão instantâneo espacial”. Oliver encarava a comida com um olhar entre o cansaço e a desconfiança.
— “Isso aqui deve ser crime intergaláctico…” — resmungou, espetando o garfo com pouco entusiasmo.
Do outro lado do vidro, o planeta girava devagar — azul, calmo, quase irônico. Lá embaixo, o mundo parecia em paz. Lá em cima, ele tentava lembrar o que era ter um jantar decente.
Ele mastigou, olhando o reflexo na janela. O uniforme verde estava amassado, a barba por fazer, e ainda assim… era bom ter um momento de silêncio. Sem explosões, sem discursos do Superman, sem a Mulher-Maravilha o encarando com aquele olhar que misturava respeito e julgamento.
Oliver soltou um suspiro. — “Tenho bilhões de dólares… e ainda acabo comendo comida de micro-ondas no espaço.” — murmurou, balançando a cabeça com uma risada curta.
Ele se recostou na cadeira, deixando o garfo de lado. A nave girava lentamente, as luzes brancas refletindo nos painéis, e por um instante, o arqueiro só observou. Lá embaixo estava tudo o que ele sempre lutou pra proteger — as ruas, as pessoas, a bagunça humana que ele entendia melhor do que qualquer super-herói alienígena.
Um bip soou no comunicador ao lado. Nova missão. Oliver olhou para o visor, revirou os olhos e empurrou o prato pra longe.
— “Nem pra me deixarem terminar de comer…” — disse, levantando-se com um estalo no pescoço.
Pegou o arco, jogou o capuz de volta sobre a cabeça e, antes de sair, deu um último olhar pra Terra.
— “Acho que descanso é um luxo que herói de verdade não tem.”
E com um meio sorriso cansado — aquele que só alguém teimosamente humano saberia dar — o Arqueiro Verde caminhou até o corredor, pronto pra descer de novo e resolver o que quer que o mundo tivesse aprontado dessa vez.