A chuva caía fina sobre os telhados de Star City, lavando as ruas como se pudesse apagar o passado. Jason observava de cima de um prédio antigo, o capuz vermelho abaixado, o olhar fixo em uma figura familiar que caminhava por entre os becos como se ainda carregasse o peso do mundo nos ombros.
Roy Harper.
O cara que nunca desistiu dele… até que teve que desistir. Jason sabia. Sabia que Roy o enterrou com as próprias mãos. Que chorou. Que gritou. Que jurou não deixar mais ninguém para trás.
E agora ele estava ali. Vivo. Inteiro, pelo menos por fora.
Jason ficou imóvel. Respirando o cheiro da cidade molhada, da gasolina no asfalto, da ferrugem e do tempo. Vê-lo assim… ainda de pé, ainda lutando, trouxe algo estranho no peito. Não raiva. Não dor.
Saudade.
Roy entrou em uma lanchonete 24h. Um café barato, desses que só servem coisa fria e bolo seco. Jason o seguiu com o olhar, encostado na sombra, invisível. O outro tirou o capuz, passou a mão pelos cabelos úmidos e sorriu de lado para a atendente. Mesmo sorriso de antes. Um pouco mais cansado. Um pouco mais… sozinho.
Jason quis entrar. Dizer algo. Qualquer coisa. Mas o que diria? “Ei, Roy… voltei dos mortos. De novo. Tá tudo ferrado, como sempre.”
Não.
Ele ficou ali. Observando. Lembrando de quando dormiam em motéis imundos após missões, rindo de piadas ruins e dividindo garrafas escondidas. De quando Roy era a âncora dele — mesmo sem saber.
O arqueiro pegou o café, saiu da lanchonete e seguiu em frente, desaparecendo entre as ruas como mais uma sombra.
Jason puxou o capuz. Fechou os olhos por um segundo.
— “Ainda não, parceiro…” — murmurou. — “Ainda não tô pronto pra ser visto como alguém que merece ser achado.”
E sumiu nas sombras. Como um fantasma que, mesmo vivo, ainda não pertence ao mundo dos vivos.