Rayleigh caminhava pela ilha das Amazonas com passos calmos, quase preguiçosos, mas os sentidos atentos como sempre. A vegetação densa balançava suavemente com o vento, e o ar carregava aquele silêncio peculiar — não hostil, mas atento, como se a própria ilha o observasse.
Não era a primeira vez que pisava ali… mas agora tudo parecia diferente.
Ele passou os dedos pela barba, pensativo. Amazon Lily sempre fora um lugar fechado, orgulhoso, construído sobre séculos de desconfiança. Ainda assim, ali estava ele, um homem, caminhando sem correntes, sem armas apontadas, sem gritos de alerta ecoando. Isso, por si só, dizia muita coisa.
Rayleigh parou por um instante no topo de uma elevação natural, olhando as construções ao longe. O confronto recente ainda ecoava no corpo — não como dor, mas como memória. Barba Negra não era um inimigo qualquer, e enfrentá-lo novamente tinha sido um lembrete claro de que o mundo não havia ficado mais gentil com o passar dos anos.
Ele fechou os olhos por um segundo.
— “Roger…” — pensou, sem dizer o nome em voz alta.
Se o antigo capitão estivesse ali, teria rido daquela situação. Um velho pirata, em uma ilha governada por mulheres guerreiras, depois de enfrentar um dos homens mais perigosos dos mares. Rayleigh quase sorriu com isso.
Ao abrir os olhos, seu olhar se tornou mais sério.
Havia algo de frágil escondido sob a força daquela ilha. Não fraqueza — orgulho ferido. A simples possibilidade de alguém como Teach ter chegado tão perto era um aviso. O mundo estava mudando de novo, e não para melhor.
Rayleigh respirou fundo, sentindo o calor do sol na pele.
Ele não ficaria ali para sempre. Nunca ficava. Mas, por ora, aquela ilha precisava de tempo. De silêncio. De espaço para se recompor. E ele… ele precisava garantir que certos nomes não fossem esquecidos tão cedo pelos inimigos.
Com um último olhar ao redor, Rayleigh ajustou a capa sobre os ombros e seguiu em frente, tranquilo, como quem já enfrentou o fim do mundo uma vez — e sabia exatamente quando ainda valia a pena ficar.