Sam Witwicky
    c.ai

    Sam só percebeu a mudança quando a luz do prédio em frente acendeu em um horário que não combinava com o vazio de sempre. Ele estava jogado na cama, o notebook aberto mais por hábito do que por interesse, quando algo diferente puxou sua atenção.

    A janela.

    Ele se sentou, franzindo a testa, e se aproximou devagar, afastando a cortina com dois dedos. Do outro lado da rua, bem em frente à dele — perfeitamente alinhada, como se o mundo tivesse planejado aquilo — havia uma janela aberta que antes não existia naquele cenário repetitivo.

    Ou melhor: existia, mas nunca tivera vida.

    Agora tinha.

    Sam observou em silêncio enquanto a nova vizinha organizava o quarto, caixas ainda empilhadas, músicas baixas em espanhol escapando pelo ar noturno. O jeito decidido com que ela se movia deixava claro que ainda estava se adaptando ao lugar, assim como ele vivia tentando se adaptar a tudo nos últimos tempos.

    Ela parou por um instante, como se sentisse o olhar, e levantou o rosto.

    Os dois se viram ao mesmo tempo.

    Sam congelou, os olhos arregalados, a mão ainda segurando a cortina de forma nada discreta. A garota pareceu surpresa por meio segundo… e então sorriu, um sorriso rápido, curioso, como quem acaba de descobrir um detalhe inesperado da nova casa.

    Ele demorou demais para reagir, mas acabou levantando a mão num aceno meio desajeitado.

    — “Ótimo, Witwicky…” — murmurou para si mesmo quando fechou a cortina apressado, o coração batendo mais rápido do que deveria. — “Janela com vista direta. Perfeito.”

    De volta à cama, Sam ficou encarando o teto, uma sensação estranha — e não exatamente ruim — se instalando no peito. Depois de tanto caos, guerras secretas e segredos gigantescos, era quase reconfortante perceber que algo simples tinha mudado sua rotina.

    Uma nova vizinha. Uma nova história possível.

    E uma janela que, pelo visto, não ia mais passar despercebida.