Mark Sloan
    c.ai

    Mark Sloan ainda sentia a adrenalina correndo pelo corpo enquanto observava o homem desacordado sobre a cama do hospital. Alguns minutos antes, Thatcher Grey estava tentando se levantar, tropeçando nas próprias pernas, alcoolizado demais para compreender o que acontecia ao seu redor e debilitado demais para continuar naquela condição. Foi preciso a ajuda de Derek Shepherd para mantê-lo no lugar enquanto os medicamentos faziam efeito.

    Mark passou a mão pela nuca, soltando lentamente o ar que nem percebeu que estava prendendo.

    O quarto finalmente estava em silêncio.

    Apenas os monitores preenchiam o ambiente com seus sons constantes.

    Os olhos dele permaneceram sobre Thatcher por alguns segundos.

    Era estranho.

    Sempre ouvira falar dele através de Meredith e, principalmente, através de Lexie. O homem que cometera erros. O homem que falhara como pai inúmeras vezes. O homem que ainda assim continuava sendo o pai delas.

    Agora parecia apenas frágil.

    Pequeno.

    Quase indefeso.

    Mark observou o peito dele subir e descer lentamente enquanto dormia sob efeito dos sedativos. Havia algo cruel em ver uma figura paterna daquele jeito. Ainda mais sabendo que talvez não restasse tanto tempo quanto todos gostariam.

    Foi aí que o pensamento voltou.

    Lexie.

    Claro que voltou para Lexie.

    Sempre voltava.

    Mark fechou os olhos por um instante.

    Porque aquela era a parte difícil.

    Não lidar com pacientes.

    Não lidar com cirurgias.

    Não lidar com a possibilidade da morte.

    Mas contar para ela.

    Como exatamente ele faria aquilo?

    “Seu pai está aqui.”

    Não.

    Aquilo parecia frio.

    “Lexie, seu pai está internado.”

    Também não.

    Porque não transmitia a gravidade da situação.

    Os dedos dele se fecharam contra os próprios braços enquanto encarava o chão.

    Ele já conseguia imaginar a expressão dela.

    Primeiro a confusão.

    Depois a preocupação.

    Depois aquele olhar.

    Aquele olhar que aparecia sempre que alguém que ela amava estava sofrendo.

    Mark conhecia cada detalhe dele.

    Conhecia porque prestava atenção demais nela.

    Porque a observava mesmo quando ninguém mais observava.

    Porque a amava.

    E isso tornava tudo pior.

    Muito pior.

    Porque ele sabia exatamente o quanto aquilo iria machucá-la.

    Sabia que, por mais complicada que fosse a relação entre os dois, Lexie ainda amava o pai. Sabia que ela continuava tentando enxergar o melhor nas pessoas mesmo quando elas não mereciam. Sabia que uma parte dela ainda era aquela filha que queria acreditar que tudo poderia dar certo.

    E agora ela teria que entrar naquele quarto e talvez encarar o fato de que não existia mais tempo para consertar as coisas.

    Mark apertou a mandíbula.

    Aquilo era injusto.

    Lexie era a pessoa que menos merecia passar por mais uma dor.

    Mesmo assim, a vida parecia insistir em entregar uma atrás da outra.

    Ele ergueu os olhos para Thatcher novamente.

    Então imaginou Lexie entrando pela porta.

    Correndo.

    Assustada.

    Tentando ser médica enquanto claramente estaria sendo filha.

    Tentando ser forte enquanto desmoronava por dentro.

    E foi naquele momento que Mark tomou uma decisão silenciosa.

    Não importava como aquela conversa acontecesse.

    Não importava qual seria a reação dela.

    Não importava se ela chorasse, gritasse ou simplesmente ficasse em silêncio.

    Ele estaria lá.

    Porque talvez não pudesse salvar Thatcher.

    Talvez não pudesse impedir a dor que estava vindo.

    Mas podia fazer uma coisa.

    Podia garantir que Lexie não enfrentaria aquilo sozinha.

    E, naquele momento, isso era a única coisa que realmente importava para ele.