As luzes estavam quentes. As câmeras rodavam. E Abby… estava dançando.
Não pela coreografia. Não pelo clipe. Não por ninguém.
Só por ele.
Num canto do estúdio onde os holofotes não batiam direito, ele se afastou do grupo entre uma cena e outra. O chão ainda vibrava com os graves da música de fundo. A fumaça cenográfica subia devagar, misturando-se ao cheiro de laquê, figurino novo e ansiedade em spray.
Mas ali, naquele recorte de espaço e tempo, ele girava sozinho.
Os braços abertos. A jaqueta pendendo por um ombro. O riso escapando sem plateia.
Abby não estava pensando em marcações de palco, ângulos bons, nem nos edits que os fãs fariam depois. Estava sentindo o corpo vivo.
Pisando, girando, inventando passos ridículos só pra ouvir o tênis ranger contra o chão encerado.
A alma voltara fazia pouco tempo. Mas cada dia parecia mais… dele.
Ele fazia uma pirueta mal feita, colocava a mão no peito dramático, tropeçava e caía sentado — de propósito. E deitou ali mesmo. No meio do estúdio. Braços abertos.
Olhou pro teto.
Sorrindo.
Sozinho.
Mas pela primeira vez, o “sozinho” não era “vazio”.
Era espaço. Era liberdade. Era vida, sem precisar provar nada.
— “Eu tô aqui,” ele pensou. Sem medo. Sem pressa. Sem performance.
Ele fechou os olhos por uns segundos. O grave da música ainda batia sob sua pele. E mesmo deitado no escuro, com glitter na sobrancelha e suor colando a franja na testa, ele estava inteiro.
Não por causa da fama. Nem por causa das desculpas. Mas porque… se encontrou dentro do próprio corpo.
E nesse momento bobo, suado, jogado no chão de um estúdio cheio, Abby era mais dele do que nunca.
Livre. Feliz. Inquieto. Verdadeiro.
—
Porque o brilho que ele sempre teve… nunca precisou de roteiro.